domingo, 13 de Dezembro de 2009

SPQR



Projecto criado em finais de 1984 por dois elementos dos Pop dell'Arte, Rafael Toral (guitarra) e José Pedro Moura (baixo) e ainda por Rodrigo Amado (saxofone), que teve uma vida efémera. Gravaram alguns temas ambientais, de cariz etéreo e experimental, muito marcados pelas sonoridades experimentais que se praticavam em meados da década de 80 por terras britânicas. Participaram na compilação "Divergências" da Ama Romanta e deram, inclusive, alguns concertos, tendo, na minha óptica, o do Pub Luís Armastrondo, sido excelente. Fizeram também a 1ª Parte do concerto dado em 1987 pelos Bourbonese Qualk, em Lisboa, no Rock Rendez Vous.

COMPILAÇÕES


Divergências (2xLP, Ama Romanta, 1986)

CASSETES
Demo Tape 1986 2 07:06
Luís Armastrondo Porto 1986 8 47:16

domingo, 6 de Dezembro de 2009

We Were Wolves



Praticando uma sonoridade enraizada naquilo que se convencionou designar por Punk Horror e que bandas como os The Misfits, Son of Sam, The Damned ou Samhain propagaram, os We Were Wolves são o resultado da junção de músicos provenientes de anteriores projectos como The Firstborn e Filii Nigrantium Infernalium. O grupo apresenta uma certa originalidade que deriva, em grande parte, do facto de ser incluído o som inconfundível de saxofone nalguns temas. conseguindo diferenciar-se de algumas das suas mais óbvias influências sem grande dificuldade. Ao vivo, o projecto mostrava-se potente e aguerrido, criando ambientes envolventes. Formaram-se em 2003, em Lisboa, compostos por Shadow-Wolf (voz), Electric-Wolf (guitarra), Billy-Wolf (guitarra) e Rotten-Wolf (bateria). Em 2004 editaram, em parceria com os suecos Speedfreaks, o seu primeiro trabalho comercial intitulado "Night Riding Anthems".

DISCOGRAFIA


Promo Demos 2003 (CDR, Edição de Autor, 2003)


Night Riding Anthems (Split c/Speedfreaks) (CD, Sleazey Records, 2004)

COMPILAÇÕES


Portuguese Nightmare - A Tribute to The Misfits (CD, Raging Planet, 2005)


Círculo de Fogo Vol 2: Ritual (MP3, Círculo de Fogo, 2007)

Martyrium



Após o término dos Scarlet Pleasure surgiriam, em finais de 1994, e pelas mãos de Lord Impirius Radamanto (voz) e Lestat (guitarra solo), os Martyrium. A eles, cedo se juntaram Gandalf (guitarra ritmo), D’Avila (baixo), Dr. Lio (teclados) e CSJTHE (bateria). Pretendendo um apodo que identificasse o universo por onde se moviam, acabam por tomar como seu o nome de Martyrium. A estreia ao vivo dá-se já em 1995 no Primeiro Festival Gótico, realizado no Bar Palha d’Aço, no Porto, mas a primeira demo, intitulada de “The First Invocation From The Heart Of Darkness”, só emergirá nos inícios do ano seguinte, numa edição limitada. Com uma sonoridade afirmativamente gótica, entre a poesia e as trevas, evocando entidades pagãs ou mistérios vampíricos, os quatro temas que a compoem demonstram já um cuidado composicional apurado e uma procura de soluções que espelhassem as atmosferas criadas. Actuando em todos os festivais góticos, especialmente na zona Norte, vão conseguindo criar um legião de seguidores fieis e ávidos por sonoridades mais sombrias e alternativas. Entretanto, novas composições vão emergindo e sendo apresentadas ao vivo. Estas fazem urgir a necessidade de se gravar um novo registo, desta feita de uma forma mais profissional. Este, intitulado de “Sallow Sight”, será editado em finais de 1997 (numa edição de 777 exemplares) e terá a contribuição de Cneajna nas vocalizações femininas e coros. Duas grandes diferenças marcam este registo do anterior: por um lado, o trabalho de vocalização está mais seguro e coerente e, em simultâneo, as ambiencias criadas pelos teclados enriqueceram o som, dando-lhe nuances mais românticas e criando uma maior densidade estrutural e emotiva. Luciferina e victoriana, densa e misteriosa, esta segunda demo impunha já a gravação de um disco, facto muito comentado na altura, mas que nunca ocorreu. Nos inícios de 1998 dá-se o abandono do baterista - por esta altura conhecido como Divine –, bem como do teclista, na altura conhecido como Thanatos. Em substituição de Divine, integrará a banda Tsueda. É já com esta formaçao que darão os concertos desse ano, mormente em mais um festival, o I Midnight Festival, onde actuarão com os espanhois Remembrance. Em 1999, apesar de se encontrarem numa fase em que planeavam o registo de mais um trabalho, a banda dará, contudo, por findas as suas actividades antes de consecutar esse propósito. [Paulo Martins]

DISCOGRAFIA


The First Invocation From The Heart Of Darkness (Tape, Edição de Autor, 1996)


Sallow Sight (Tape, Edição de Autor, 1997)

sábado, 5 de Dezembro de 2009

Cio Soon



Constituído, inicialmente, apenas por Miguel “Aramis” Ribeiro, que tocava todos os instrumentos e fazia as programações, o projecto foi fundado durante o Verão de 1994, em Guimarães. A ele junta-se, em breve, Rui “Puto” Dias (Bergen Belsen, Joana Dark) e, pouco tempo depois, apareceria em circulação o seu primeiro tema, "Tásquilhado" (nome de um bar de Guimarães frequentado pelos seus elementos), que depressa se torna num hino local. Sob a designação colectiva de Cio Soon - nome que pretende ser apenas um trocadilho com o dito inglês “see you soon”, não pretendendo significar nada em especial -, vão aparecer, no ano seguinte, no volume 2 da compilação “Ritual Rock”, precisamente com esse tema, o que lhes irá granjear exposição nas rádios para além de boas críticas na imprensa. Durante esse ano ainda, a formação da banda vai ser aumentada com a entrada de Ricardo “Formiga” (ex-Ritual Profano, Ego Mysterium, Gnu & Os Bilu-Bilu, Barca do Inferno) para o baixo, e de Feliciano para as programações. Começam, então, a surgir as actuações ao vivo, durante 1996, mormente nas “Noites Ritual Rock” e no festival “Garagem”. Deste último, resultará uma compilação homónima em que participarão com o tema “Eu Não!”. As duas faixas incluídas nas compilações apresentam já o seu som característico de fusão entre as electrónicas e as guitarras, aproximando-se quer de uns Prodigy, quer de uns Carter, The Unstoppable Sex Machine, embora com uma cadência mais industrial que estes. Contando, ao vivo, com a esporádica colaboração de Ana Ribeiro nas programações, vão sentir a necessidade de reforçar essa secção, dando-se a inclusão de Marco Oliveira. 1997 reveste-se de importância capital na sua progressão. Não só vêem incluídas mais três faixas (e intro) na nova compilação da Ritual Rock, como uma na “Raise: Deixe de Ser Duro de Ouvido vai para o Campo. Em Paredes de Coura”, outra na “Promúsica“ (“Big Bad Man”) e outra na “Noise Sessions” (esta já retirada da maquete), como irão actuar, também, no festival de Paredes de Coura. Para além disso, lançam em Julho a sua primeira demo oficial, a cassete “Area 51”. Por esta altura, o som já havia evoluído, tornando-se mais denso e obscuro, mas sem perder nunca uma dose de humor. Se, por um lado, o som lembra um pouco os Nine Inch Nails (especialmente da fase “Pretty Hate Machine”), por outro detectam-se referências de Tones On Tail (vide “What?”). Simultaneamente, na faixa “Tusa em Siracusa” remetem para um Pedro Abrunhosa em ácido (especialmente na vocalização). Esta maquete vai abrir-lhes as portas para mais concertos ainda, chegando a actuar com os Senser (banda com a qual tinham certas afinidades sonoras) no Festival de Mira, já em 1998. Entretanto, tanto Rui como Feliciano abandonam o projecto, passando Miguel a ocupar-se das guitarras (para além da voz) e entrando Paulo Alves para as programações e samplers. Será esta a formação que, em 1999, gravará e lançará o EP “Don’t Walk” via Independent Records. Com um carácter, em certa medida, mais experimental, o CD apresenta os Cio Soon mais ligados a novas referências, procedendo à sua desconstrução. Se, por um lado, os Prodigy continuam a ser ponto de referência, por outro encontram-se multiplas tonalidades que remetem a The Jesus And Mary Chain (fase do “Honey’s Dead”), bem como alguns salpicos de The Young Gods. Malgrado esta auspiciosa estreia, o grupo não durará muito mais tempo e, por volta de 2000, terminava. Formiga dedica-se mais ao seu projecto pessoal, Ant (depois Ant Farm), que já tinha sido o vencedor do Prémio Maquetas do jornal "Blitz", em 1998, e havia participado no festival de Paredes de Coura de 1999, sendo praticante de uma sonoridade lounge/easy listening. Quanto a Miguel, passa igualmente a dedicarse ao seu projecto paralelo aos Cio Soon, os Kung Fu Trunx, nome inspirado no seu gosto por artes marciais e em Trunx, a sua personagem favorita da série de anime Dragon Ball. Tendo-o iniciado durante 1997, e ocupando-se de todos os instrumentos (vozes, guitarras, teclados, programações, samplers e baixo), pretendia expressar uma vertente mais electrónica e dançável que o trabalho que desenvolvia com os Cio Soon e não se enquadrava no âmbito desse projecto. Grava, então, uma demo com três temas, que irá ganhar o Prémio Maquetes da Deixe de Ser Duro de Ouvido, na categoria de dança. Embalado por referências como Tricky, Massive Attack ou Thievery Corporation, para além dos inevitáveis Prodigy e os seminais Kraftwerk, o som deste trabalho reflecte essencialmente uma interpretação pessoal da electrónica. Este trabalho consegue algumas boas críticas e exposição na rádio, bem como lhe serve de cartão de apresentação para os concertos que, entretanto, começa a dar (Cais do Rock ou Paredes de Coura, por exemplo). Desde aí, o projecto não tem dado passos tão rápidos como os que merecia, devido a vários factores (mormente profissionais e de situação geográfica). No entanto, vai expandir-se com a inclusão de colaborações diversas: Joana e Ana Luísa (vozes), Carlos “Pastel” (dos Clockwork, guitarra), Feliciano (ex-Cio Soon, samplers), entre outros. Paralelamente, o leque de referências sonoras alarga-se, abrangendo áreas mais industriais, ambientais e experimentais. A assinalar, no ano de 2000, a inclusão de temas seus em dois volumes da Promúsica (“Nature Blues” e Naked”). Dezembro de 2008 vê os KFT musicar ao vivo “Frankenstein”, de James Whale, contando, para isso, com uma versão alargada do projecto, incluíndo, para além de Miguel Ribeiro (programação, teclas, guitarra e voz), Bruno Ferreira (bateria e percussões) e Pedro Paredes (baixo e guitarra portuguesa). Em 2009 voltam aos palcos, estando prometido (mas sempre adiado) um CD de originais a editar a expensas próprias. [Paulo Martins]

DISCOGRAFIA


Área 51 (Tape, Edição de Autor, 1997)


Don´t Walk (MCD, Independent Records, 1999)

COMPILAÇÕES


Ritual Rock Vol.2 (CD, Xinfrim, 1995)


Garagem (CD, Garagem Records, 1996)

DDSDDO vai para o Campo. Em Paredes de Coura (CD, DDSDDO, 1997)


Ritual Rock Vol.3 (CD, Xinfrim, 1997)


Noise Sessions (CD, Garagem, 1997)

PRESS
Cio Soon, Carlos Vieira, Ritual nº9 de 1996
A Adrenalina a Subir, David Pontes, Pop Rock/Público nº2584 de 09-04-1997
O O Himenóptero Cool, Jorge Manuel Lopes, Blitz nº 769 de 27-07-1999

terça-feira, 1 de Dezembro de 2009

La Valise



Projecto efémero de apenas um disco. O single "Tirem-me Daqui" foi editado pela RM Discos. Um dos músicos do grupo era o teclista Fernando Martins que depois surgirá nos Ritual Tejo. A banda era constituida por Paulo Rosado (baixo), Luís Oliveira Dias (guitarra), Fernando Martins (teclas), Jorge Martins (bateria) e Dora Gomes (voz). O disco foi produzido pelo incontornável Manuel Cardoso. A banda era oriunda dos Olivais, em Lisboa e foi criada com a designação de La Valise em 1986. Muitos dos seus músicos já tinham experiência. Foram contratados pela RM Discos, editora ligada à Dansa do Som e, em última instância, ao Rock Rendez Vous. Apesar de terem assumido propositada e confessadamente uma sonoridade mais pop no disco editado, o projecto debitava ao vivo mais energia e velocidade, apresentando um rock musculado e dançavel. A estratégia denotava pois que teriam havido concessões comerciais. Diziam-se uma banda de rock com som pop em disco, o que era manifestamente um mau desígnio que talvez os tenha feito cair num limbo em que não agradaram nem a gregos nem a troianos.

DISCOGRAFIA


Tirem-me Daqui (7 Single, RM Discos, 1987)

PRESS
O Compromisso do Equilíbrio, João Portela, Blitz nº167 de 12-01-1988

Alexandre Soares



Alexandre José de Medeiros Pereira Soares nasceu no Porto, em 15 de Junho de 1958. Na adolescência começa a tocar guitarra clássica. Aos 18 anos inicia-se na guitarra eléctrica. Durante algum tempo chega a tocar com os Pesquisa que vieram mais tarde a formar os Taxi. Em 1980 estava a tocar sozinho em casa e à procura de elementos para formar uma banda. Encontra Vítor Rua e Toli César Machado com quem forma os GNR. Alexandre Soares assumiu as vocalizações nos dois primeiros singles ("Portugal na CEE" e" Sê Um GNR"). Em 1981 toca com Vítor Rua e Rodrigo Freitas nos Pastorinhos de Fátima. Nos GNR lança ainda o máxi-single "Twistarte" e os LPs "Independança", "Defeitos Especiais", "Os Homens Não Se Querem Bonitos" e "Psicopátria". Em 1986 foi co-autor, em conjunto com o seu irmão João Pedro Soares, da música para o bailado "Barcos Negros" que conquistou o primeiro prémio do Concurso Internacional de Bailado de Lisboa. No ano seguinte sai dos GNR devido a insatisfação com o trabalho no grupo. Lançou o seu primeiro disco a solo em 1988. O álbum "Um Projecto Global", maioritariamente instrumental, incluía o tema "Luzes de Hotel" com letra de Pedro Ayres Magalhães. Em Março de 1989, o srmanário Blitz noticiava que o músico estaria a ultimar os preparativos para o seu segundo álbum a solo, que seria gravado nos estúdios Planta Sónica, em Vigo. A acompanha-lo estariam José Ferrão (guitarra, Repórter Estrábico, ex-Martinis), Anselmo (baixo) e marcos (teclas). Em 1990 compôs a música da peça "Coração na Boca", da autoria de Sam Shepard, com letras de Rui Reininho. Na peça participavam Xana, Ricardo Carmo e os actores Natália Luísa e Virgílio Castelo. Nesse ano sofre um acidente de viação que o impede de tocar durante dois anos. Durante algum tempo dedica-se a fazer o som ao vivo dos Ban. Em 1992 entra para o projecto Song Experience que depois muda de nome para Zero. É com esta nova designação que é lançado o único álbum do grupo. Ainda em 1992 é convidado a participar no álbum "Partes Sensíveis" dos Três Tristes Tigres. A primeira colaboração de corpo inteiro no projecto deu-se com a versão de "Anjinho da Guarda", incluída no disco de homenagem a António Variações, com arranjos e produção de Alexandre Soares. [A Magia dos Anos 80]

DISCOGRAFIA


Um Projecto Global (LP, Polygram, 1988)

Vooum (CD, Audeo, 2000)


Cães aos Círculos (c/ J.Coelho) (7"EP, Bor-Land, 2006)

PRESS
Alexandre Soares pós-GNR, Paula Joyce, Blitz nº135 de 09-06-1987
Temporariamente Só, Luís Maio, Blitz nº173 de 23-02-1988 [CAPA]
O Tempo de Alexandre S., Jorge Pires, Blitz nº182 de 26-04-1988
Revelações do Espelho de Alexandre Soares, LP nº3 de 17-11-1988
Alexandre Soares na Indústria, Tiago Baltazar, Blitz nº217 de 27-12-1988

Graffiti



Grupo originário de Almada, liderado pelo ex-Roquivários Jorge Loução (guitarra) que, neste projecto, era acompanhado por Rui Marinho (bateria), João Reis (baixo, voz), Armândio (teclas), Celestino (trompete) e Roque (sax tenor). Editaram um disco homónimo pela CBS em 1988. Aplicavam uma enxurrada de canções avulsas, compostas a pensar na passagem radiofónica e na colagem a um movimento sonoro que se desejava pós-modernaço e criativo mas não enganava ninguém. Graças a Deus acabaram rapidamente.

DISCOGRAFIA


Graffiti (LP, CBS, 1988)

PRESS
Heranças, António Pires, Blitz nº191 de 28-06-1988
O Graffiti do Frissom, Tiago Baltazar, Blitz nº223 de 07-02-1889
Ò Tempo volta para Trás, Tiago Baltazar, Blitz nº223 de 07-02-1989