24 fevereiro 2009

OS SEIS GRAUS DA SEPARAÇÃO



Os Seis Graus de Separação foi o mais recente projecto criado pelo multifacetado Paulo Trindade, músico de Braga, contemporâneo da movida da cidade no seu mais brilhante esplendor dos Anos 80. Muito marcado pelas sonoridades dos inícios dessa década, sempre sombrio, decadente e distante, não foi das personalidades mais reluzentes, mas deixou a sua marca indelevel em diversos grupos da cidade, como os Ruge Ruge, Um Eléctrico Chamado Desejo, Rua do Gin, etc. Eu acabo por ser tentado a gostar do seu trabalho, embora o considere um pouco anacrónico. É perceptível neste projecto lançado pela Cobra, editora dos Mão Morta, um pouco de tudo isso. O autor escreveu e compôs todos os temas, mas não descurou as colaborações preciosas de António Rafael e Nelson Carvalho. Como não podia deixar de ser, Miguel Pedro (baterista dos Mão Morta) faz parte do grupo. O homem esteve em todas!!!

DISCOGRAFIA


AO VIRAR DA ESQUINA [CD, Cobra, 2004]
"Neste disco encontramos também um roteiro de sons que foram sendo ouvidos numa certa Braga não-alinhada desde que esta, nos idos '80, foi colocada no mapa urbano da produção musical lusa. Temas que, mesmo com alguns títulos alterados, preenchem o imaginário quase sussurrado de quem com eles foi tomando contacto em pequenos espaços, normalmente apinhados de gente e aquecidos pelo calor etílico e pelo suor ansioso de quem vivia algo de novo, vibrante e único. Música que sempre ameaçou explodir e, falhando o seu tempo, se equivocou no berço da memória. Mas «Ao Virar da Esquina» não é, na sua essência, um objecto de recordação enferrujado e enquilosado pela passagem dos anos. Há uma imensa intemporalidade nas estranhas melodias, pouco ortodoxas na sua estruturação non-pop, e na dolorosa e letárgica electricidade decantada sobre imagens difusas e acromáticas. Uma espécie de dimensão escondida e dilacerante que propõe uma poética e quase-romântica comunhão de emoções e uma estranha forma de negra e incómoda intimidade." [Pedro Portela]

COMPILAÇÕES


À SOMBRA DE DEUS 03 [CD, Câmara Municipal de Braga, 2004]

3 comentários:

sombra disse...

Correcção: o sr. Paulo Trindade não tem nada a ver com a Arquidiocese do Nojo, a Arquidiocese do Nojo, era apenas composta por mim, Paulo Sombra e Manuel Leite.

Bourbonese disse...

Sombra: Correcção efectuada. Foi retirada menção ao Sr. Trindade.

asianuxxx disse...

É verdade, é sim senhor! O trinita sempre foi uma barca negra perdida. Ché sui le sombre?