21 março 2009

CELLO



Os Cello surgiram das cinzas dos Actvs Tragicvs, em 1993, tendo como membros fundadores José Nave (guitarra), Pedro Temporão (baixo) e Carlos Santos (que mais tarde viria a sair da banda). Esta formação dedicou-se durante algum tempo a temas instrumentais, procurando definir e refinar uma orientação musical que viria, contudo, a ter a electrónica como componente de base. Cristina Martins (voz) viria pouco tempo depois a juntar-se ao grupo. A primeira maquete, editada em 1993, logo despertou o interesse da editora independente Symbiose, que prontamente assinou contrato com a banda para a gravação de três discos. Nesse mesmo ano é editado o primeiro álbum, de seu título "Alva". Desde logo, a crítica assegura aos Cello um lugar na cena musical nacional, revelando uma banda promissora, embora ainda à procura de um estilo próprio. Em 1995 é editado "À L'Ombre du Temps" e confirma-se o valor do grupo. Com este trabalho, os Cello consolidam um rumo musical e conseguem alguma exposição mediática. Actuam um pouco por todo o país e fazem as honras de abertura de espectáculos portugueses de bandas estrangeiras como os Cocteau Twins e Sol Invictus. Um dos grandes objectivos da banda foi sempre o reconhecimento além-fronteiras, desde logo devido às características muito particulares do grupo - o uso da língua francesa como meio de expressão privilegiado e a sonoridade etérea e quase cold wave muita apreciada pelos saudosistas da música independente britânica da década de 80 e de muitas das bandas que pululavam em torno do universo da 4AD Records. Esse objectivo foi conseguido a uma escala relativa, dentro do circuito alternativo, em países como Alemanha, Itália, França, Bélgica, Holanda, México, Hong Kong, através de acordos de distribuição com editoras/distribuidoras nestes países. Um facto comprovado por críticas em publicações locais e destaques radiofónicos. A participação em compilações internacionais, ao lado de bandas como The Young Gods, Bel Canto, Miranda Sex Garden, In The Nursery, Von Magnet, Chandeen ou Sleeping Dogs Wake acabou por se constituir, também, num importante instrumento de internacionalização. Na recta final do ano 2000 os Cello lançam o terceiro álbum. "Long Voyage" que fica como o mais conseguido e acessível dos trabalhos editados pela banda, vindo confirmar os universos sonoros que já se adivinhavam nos vários EP`s e Singles editados a partir de 1996. Em "Long Voyage" o grupo explora de forma personalizada uma linha pop/electro-rock, cruzando e conjugando ao mesmo tempo as linguagens contemporâneas da música electrónica/dança. Passados pouco mais de dois anos é lançado "Après_Midi", um longa duração "hibrido" composto por originais e remisturas. Com este trabalho, os Cello pretenderam fazer a ponte entre passado e o presente assinalando assim uma década de actividade. A banda dissolveu-se no principio de 2003, após 10 anos de carreira e quatro álbuns gravados. Alguns dos seus membros envolveram-se em grupos como os Raindogs e posteriormente Corsage.

DISCOGRAFIA


CELLO [Tape, Edição de Autor, 1992]


ALVA [CD, Symbiose Records, 1993]


A L'OMBRE DU TEMPS [CD, Symbiose, 1995]


OLISIPO [CD Single Symbiose, 1996]


RELOOK [CD Single, Independent Records, 1998]


MES DEUX JOURS [CD Single, Independent Records, 1999]


LONG VOYAGE [CD, Música Alternativa, 2000]


SENTIMENTS SAGES [CD Single, Música Alternativa, 2000]

LA FEMME-MACHINE [CD Single, Camouflage, 2003]


APRÈS MIDI [CD, Camouflage, 2003]

COMPILAÇÕES


BORDERLINE [CD, Symbiose Records, 1991]


FÓSSIL SAMPLER [Tape, Grito Tapes, 1992]


HEAVENLY VOICES 03 [CD, Hyperium Records, 1995]

LACMAYER'S ISLAND [CD, Mekka Records, 1995]


MÚSICA CELESTIA SAMPLER 02 [CD, Cri du Chat Records, 1996]


SANTOS DA CASA [CD, Coimbra B, 1998]


PROMÚSICA 25 [CD, Promúsica, 1999]


PROMÚSICA 36 [CD, Promúsica, 2000]


PROMÚSICA 48 [CD, Promúsica, 2001]


REDROOM [CD, World Serpent, 2001]


DOCAS [2xCD, Música Alternativa, 2002]


CAIS DO ROCK 04 [CD, Low Fly Records, 2002]

PRESS
Os Dias dos Cello, Nuno Ávila, Ritual nº6 de 02-1993
Uma Intensidade Discreta, Miguel Francisco Cadete, Blitz nº 544 de 04-04-1995
Não Gostamos de Tocar ao Vivo, Rui Catalão, Público 2271 de 29-05-1996
Experimentam Novo Look, Filipe pedro, Raio X nº 18 de 02-03-1999
Destaques, Promúsica 36 de 01-2000
Uma Referência no panorama Alternativo, João Botas, Promúsica 37 de 02-2000
Texturas da Pop, ML, Blitz nº 837 de 14-11-2000
Longa é a Viagem, Miguel A, Promúsica 48 de 01-2001 [CAPA]
Viagem de Regresso, Gonçalo Frota, Blitz nº 845 de 09-01-2001
C'Est Un Cadeau, António Pires, Blitz nº 971 de 09-06-2003

1 comentários:

aqe disse...

Pelo menos o Mes deux Jours está fora do sitio. Fica interessante a profusão de cores diferentes das capas dos discos.