04 março 2009

VICTOR GOMES



Foi em Moçambique, país onde chegou aos dois anos com a família, que o então jovem hoquista Vítor Gomes despontou para a fama nos anos 50, depois de vencer de forma arrebatada um concurso do Rádio Clube, destinado à descoberta de novos valores. Atirado para a ribalta, rapidamente se transforma no ídolo das adolescentes moçambicanas. Instigado pelo talento, que o leva a arriscar a sorte na Sétima Arte ("A Canção da Saudade" é o filme com que atinge maior popularidade) e confiante num possível êxito internacional, vem para Lisboa, onde se junta a quatro músicos da Trafaria (três guitarristas e um baterista), inspirados nos Shadows, com quem forma os célebres Gatos Negros. Uma cor associada à indumentária de cabedal com que a banda, caracterizada pelo frenesim electrizante do rock e do twist, domina os palcos portugueses. O fim do grupo dá-se com a ida para a tropa de dois dos quatro músicos e o início da carreira a solo do seu líder, que o leva a Angola, Moçambique, África do Sul e Zimbabwe. Neste último país conhece Nicky Honey, uma sul-africana de origem holandesa, com quem forma um duo até 1972. Dois anos depois põe o primeiro ponto final na carreira, ao casar-se e decidir “obter estabilidade”, voltando à antiga profissão de serralheiro civil. Em 1991, então com 51 anos e seis filhos, Vítor Gomes regressa a Portugal e faz renascer os Gatos Negros apenas com dois dos elementos da banda original, Manuel Eixa e José Alberto, mas apesar de conseguir actuar nas melhores salas de Lisboa, o projecto acaba por não vingar e decide radicar-se no Algarve. Ainda rebelde, mas agora com “mais calma” prepara um novo CD, cantado exclusivamente em português, com o qual pretende revelar o outro lado de um gato, corajosamente bravio. É que, embora o cabelo esbranquiçado – que insiste em conservar meio despenteado e caído sobre a testa – denuncie a idade do bilhete de identidade, o espírito que anima os dias de Vítor Gomes ficou preso ao tempo em que arrastava multidões e rivalizava com duas outras figuras nacionais: Amália, no fado, Eusébio, no futebol. Porque “sem desprimor pelos colegas da altura”, salienta, na música moderna era Vítor Gomes quem levava ao delírio milhares de fãs que o perseguiam. Como numa célebre noite de 1964, na Praça do Saldanha, em Lisboa, com a própria PIDE-DGS (que acompanhava atentamente as suas digressões), a ver-se impossibilitada de exercer qualquer pressão para dispersar um “nunca visto ajuntamento popular” em Portugal. “Fiz aquilo que nenhum político conseguiu”, orgulha-se o ex-líder dos Gatos Negros, a banda que ousou simbolizar uma já então inquieta juventude portuguesa. [Madalena Bentes]

DISCOGRAFIA


JUNTOS OUTRA VEZ [7"EP, F.Mel, 1967]


JUNTOS OUTRA VEZ [7"EP, Marfer, 1967]


STOP [7"Single, Edição de Autor, 1989]


O REGRESSO DO REI DO ROCK [CD, Movieplay, 1993]

COMPILAÇÕES


BIOGRAFIA DO POP-ROCK [2xCD, Movieplay, 1997]


PORTUGUESE NUGGETS 01 [LP, Galo de Barcelos, 2007]


PORTUGUESE NUGGETS 03 [LP, Galo de Barcelos, 2007]

PRESS
O Rei do Rock, Pedro Fradique, Blitz nº 463 de 14-09-1993

3 comentários:

Anónimo disse...

Grande Victor Gomes! uma lenda!

Rafael Amorim disse...

Bom dia,
Será que podem ajudar:
No ano de 1962, um Victor Montoya tocou bateria com o Conjunto Oliveira Muge em Mocambique.
Quando o batalhão dele voltou para Portugal, no final desse ano, ele terá sido obrigado a retornar a Metropole e, nessa altura, terá feito parte da primeira formação dos Gatos Negros.
Procuro confirmar essa informação e saber do paradeiro do Victor Montoya.
Os membros restantes do Conjunto Oliveira Muge perderam-lhe o rasto. Entretanto um Luis Tita nos Guedelhudos disse que ele seria, talves, um dos irmãos Montoya que tocou nos GRRMM com o Edmundo Falé.
Alguem pode ajudar?
Abraço

Bourbonese disse...

Lamento mas não podemos ajudar. O Luís Pinheiro de Almeida é sempre uma fonte credível relativamente a este período do pop-rock português.