22 abril 2009

PRECE OPOSTO



Nascidos no Porto em finais de 1983, os Prece Oposto lançaram-se nos espectácu­los ao vivo com um concerto na Cruz Vermelha em Massarelos, no Porto, integrados num ciclo Rock organizado por João Loureiro e cujos cabeças de cartaz eram os Rádio Macau. Encabeçados pelo vocalista Miguel Novais, contavam com o guitarrista João Paz, o baixista João Vaz, mais tarde substituído por Pedro Saraiva, o teclista Luís Galvão Teles e o baterista João Brusky. Ponto alto na carreira dos Prece é a participação e a conquista do terceiro lugar no 2º Concurso de Música Moderna do Rock Rendez Vous, em 1985, que lhes permitiu incluir na colectânea "Sons e Temas" o espectacu­lar "Homem do Leme", sensivelmente na mesma altura em que os Xutos & Pontapés punham em vinil, no álbum "Cerco", um tema homónimo. Na memória da curta existência dos Prece Oposto fica também registado o concerto num outro local de culto, a Fábrica, em Braga. Corria o ano de 1985 quando decidiram acabar com o grupo. Miguel Novais, o vocalista que "sempre deu a cara pelos Prece Oposto" dedicou-se à advocacia, embora sempre tivesse mantido a paixão pela música; João Paz chamou Pedro Saraiva (João Brusky e Luís Galvão Teles também por lá passaram) para fazer parte dos Ela Sing, banda que deu alguns con­certos, nomeadamente no Luís Armastrondo e que chegou a ser capa no histórico fanzine "O Portuga". Mais tarde, João Paz e Pedro Saraiva tocaram versões no Aniki-Bóbó e depois lançaram-se numa aventura de estúdio, os Soft. Chegaram a ter uma menção (ao que consta bastante honrosa) na revista francesa Actuel e esti­veram em vias de editar um single pela Caligari, uma produtora de espectáculos do Porto que chegou a levar à capital do Norte bandas como Lords Of The New Church, Durutti Column e John Cale. Bem, o que é facto é que os Soft nunca transpu­seram os seus conhecimentos de estúdio para a rodela preta do vinil. Pedro Saraiva integrou mais tarde bandas como os X­-Position ou os China Cool. João Brusky passou a ser o baterista dos renova­dos Repórter Estrábico. João Paz juntou-­se a Luísa Saraiva para criar os Terra ­Mar, já com um álbum editado no merca­do, "Não Me Sigas Na Calçada". É ele quem recorda para a Ritual os tempos de vida dos Prece Oposto: "Sei que era bes­tial. Eu tinha então vinte anos e vivia-se no meio de coisas que estavam a aconte­cer, a despontar, era a segunda vaga do Rock Português. Íamos ensaiar para o Mindelo às 7 da manhã de Domingo e só chegávamos para almoçar às cinco da tarde. E claro, fizemos música que me agradou". Na altura estava em moda "a linha urba­no-depressiva com as referências Liverpool-Manchester. Ouvia-se Joy Division, o início dos U2, Echo & The Bunnymen, The Chameleons." Era a época da pop cinzenta, que acabou por se transformar num fantasma quase sempre presente nos momentos de criação da grande maioria das bandas que foram nascendo na órbita do Porto. Nesse caso, até se pode dizer que os Prece Oposto também foram precursores de uma certa tendência estética. [Ricardo Alexandre]

COMPILAÇÕES


MÚSICA MODERNA PORTUGUESA 01 [LP, Dansa do Som, 1985]


SONS E TEMAS: ROCK RENDEZ VOUS 1985 [CD, Movieplay, 1994]

PRESS
Prece Oposto, Confidências do Exílio nº03, Julho/Agosto 1985
A Mais-Valia do Efémero, Ricardo Alexandre, Ritual nº7 de 04-1993

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