22 maio 2009

DJ RIDE



É preciso inventar uma nova escala, algo que sirva condignamente para medir os avanços estrondosos que a carreira de DJ Ride tem registado desde que apareceu a mostrar que dois pratos e uma mesa de mistura são ferramentas de construção do futuro. Há muito para contar: maquetas cozinhadas em tempo real com gira-discos e um pedal de sampling, enviadas do seu laboratório nas Caldas da Rainha para quem quisesse ouvir; um campeonato ITF conquistado em 2006; um estrondoso álbum de estreia a revelá-lo a um público mais sedento de "Turntable Food" em 2007; mais um campeonato, este da DMC, arrebatado em 2008; a estreia no domínio das dj tools em vinil em 2009 em colaboração com a plataforma Red Bll Home Groove; o abraço sentido da lenda viva mulatu astatke após ouvir a sua remistura no âmbito do LX Taster da Red Bull Music Academy. Os marcos são demasiados para o espaço disponível, mas incluem ainda a sua colaboração com o projecto Supa, o seu dijing ao vivo para o colectivo Rocky Marsiano ou a divisão de espaço em palco e estúdio com gigantes do jazz português como André Fernandes ou Mário Laginha. Seria caso para dizer "uff!" se se adivinhasse algum pingo de suor no seu rosto, mas não… ride ainda agora começou a dar-nos música e não parece ter vontade de terminar tão cedo. Ainda bem. A "Beat Journey" que Ride agora nos apresenta é outro resultado de uma mente prodigiosa: breaks escolhidos com precisão cirúrgica, um entendimento superior da ciência de produção, arranjos que revelam uma mente em efervescente concentração: Ride desenha o futuro em cada novo beat e aí se cruzam as mais recentes referências – dos fracturantes baixos do mais avançado dubstep às mais ácidas linhas sintetizadas criadas em Los Angeles por estetas como flying lótus, passando pela liberdade do jazz, pelo rigor da electrónica e pelo peso do hip hop mais tradicional. O incrível, o inesperado, é que Ride combina tudo isto em proporções inéditas, oferecendo-nos música que nunca se ouviu antes: em parte nenhuma do planeta. A imaginação é nele uma ferramenta muito mais importante do que qualquer mpc, laptop ou teclado moog, embora todos esses artefactos lhe sirvam para traduzir o que lhe vai na alma, no cérebro e nas veias. Não se enganem – “beat journey” é música do futuro feita agora. [Rui Miguel Abreu]

DISCOGRAFIA


TURNTABLE FOOD [CD, Loop Recordings, 2007]


180GR [12"Maxi, Red Bull Recordings, 2008]


PSYCHEDELIC SOUND WAVES [CD, Rockit Science, 2009]


BEAT JOURNEY [CD, Optimus Discos, 2009]


LIFE IN LOOPS [CD, Optimus Discos, 2012]


REMIXES & B SIDES [CD, Blitz, 2015]

COMPILAÇÕES


NOVOS TALENTOS FNAC 2007 [CD, FNAC, 2007]


BODYSPACE 2002-2012 [CD, Optimus Discos, 2012]

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