29 agosto 2009

FÉ DE SÁBIO / VITA BREVIS



Originários de Cête, no Concelho de Paredes, os Fé de Sábio formaram-se em 1985, pela congregação das vontades de José Santos (guitarra), Luís Santos (voz) e Adalmiro Ferreira (percussões). O projecto foi compondo e ensaiando até que, no ano seguinte, surge a oportunidade de actuar com os Bramassaji, aquando de uma passagem destes pela povoação. Além de constituir o seu baptismo de fogo, este concerto deu-lhes alguma exposição e permitiu que se abrissem as portas para outras futuras actuações. Assim, e durante o ano de 1987, actuam no Pub Luís Armastrondo e participam no 1º Festival Luso-Galaico de Rock. Algures entre 1986 e 1987, gravam três temas em estúdio, aos quais juntam um outro ao vivo, constituindo, assim, a sua primeira demo. Esta, anuncia já os trilhos que o grupo irá calcorrear, afirmando-os, peremptoriamente, como um valor sólido e a seguir com atenção. 1988 vê o aumentar do colectivo com a entrada de Lino Sousa e Daniel Bessa, para as teclas, vozes e textos, introduzindo, assim, novas texturas e tonalidades a uma música sóbria e de contornos delicados. Ainda durante esse ano, a entrada de Bruno Ardo (futuro Sangre Cavallum), como segundo guitarrista, constituirá mais um passo no desenvolvimento da banda em direcção a uma sonoridade cada vez mais personalizada e a um posicionamento único no panorama musical português. Gravam, então, uma demo de três temas, que representa um passo em frente, relativamente à anterior, aprofundando a veia experimentalista e ambiental do grupo. Armados da nova formação, actuam, ainda em meados desse ano, na 1ª Mostra de Música Moderna de Coimbra organizada pela R.U.C., enquanto, no ano seguinte, regressam aos palcos do Porto para mais uma actuação, desta feita no Labirintho. Já com mais de quatro anos de palco, de aperfeiçoamento e refinamento das composições, decidem, em 1990, entrar em estúdio para registar o seu primeiro e único longa duração. Este, de título homónimo, é gravado e misturado por Fernando Rangel e José Pratas, tendo sido editado, pela Discantus ainda no Verão desse ano. O álbum revela-se um disco surpreendente que, embora deixando transparecer amiude algumas afinidades com os Sétima Legião de "A Um Deus Desconhecido" ou com certas ambiências da editora 4AD, constituiu um disco arrojado e coerente, pleno de recantos intimistas e bucólicos e com a frescura das nascentes de águas em pleno pico do estio, conjugando poesias de palavras, imagens e sons num todo esvoaçante de suspiros e sussurros. Ao todo são 13 pérolas, esculpidas com amor e afinco por mãos sabedoras dos lavores da arte e uma firmeza granítica quanto às opções a tomar... Não foi de estranhar, portanto, que tivesse conseguido obter algum eco na imprensa e rádios. Já em 1991, voltam a entrar em estúdio para gravar o seu sucessor, um EP de 4 faixas. Previsto ser lançado no ano seguinte, acabará por não ver a luz do dia, uma vez que o projecto decide dar por findas as suas actividades. Contudo, José e Luís Santos vão criar outro veículo para se expressar, surgindo assim os Vita Brevis, já em 1993. Este novo projecto, embora retome, em certa medida, o percurso que os Fé de Sábio tinham vindo a desenvolver, apresenta uma faceta mais pop, com um forte cariz ambiental e uma elegância de saber amadurecido. O duo parece optar por se mater numa certa obscuridade e anonimato, tendo apenas sido dado a conhecimento público uma demo de quatro temas e, mesmo essa, apenas em formato semi-oficial, pelo que nos podemos aperceber. As faixas que dela constam, embora contenham algumas nuances que podem apontar para uma certa faceta dançável sofisticada (vide, por exemplo, o álbum "Obey the Time" dos The Durutti Column), mostram-se longe de pressões, caminhando num tempo sem pressas e bebendo uma suave melancolia outonal. Apenas os temas Sonho e Gota de Água tiveram edição para um mercado mais abrangente, aprecendo, o primeiro, numa das compilações da revista Promúsica, em 1999, e, o segundo, na colectânia Caixa de Música, editado pela Câmara Municipal de Paredes em 2005. Aliás, esta colecção patrocionada pela autarquia, será motivo para que se repesque um tema dos Fé de Sábio, "Funâmbulo", e se o remisture dando-lhe um outro sabor. É, por esta altura, que é feita uma reedição em CDR, remasterizada, do registo de 1990. Esta vai apresentar algumas diferenças relativamente à edição original, nomeadamente pela inclusão da nova versão de Funâmbulo, como música extra, e da substituição da versão LP do tema "Flores de Inverno" pela que se encontra incluída na demo de 1988. Desde aí, ficaram apenas o silêncio e a saudade... [Paulo Martins]

DISCOGRAFIA


FÉ DE SÁBIO [LP, Discantus, 1990]

COMPILAÇÕES


PORTUGAL REBELDE 02 [CD, Titânica, 1996]


PROMÚSICA 25 [CD, Promúsica, 1999]


CAIXA DE MÚSICA [CD, Câmara Municipal de Paredes, 2004]

PRESS
Enquanto Há Fé, Há Esperança, Ricardo Xavier, Ritual nº2 de 03-1991
Destaques, Promúsica 25 de 02-1999

1 comentários:

Luis disse...

Que saudades!