29 agosto 2009

HOSPITAL PSIQUIÁTRICO



Os Hospital Psiquiátrico nasceram em Ermesinde em 1988. Derivaram basicamente dos Esgoto Urbano que haviam sido criados em finais de 1986 e não passavam de um pastiche dos The Birthday Party. Neles militava Pedro Barros e Nuno Costa que suportaram o grupo até aos inícios de 1988, quando alteraram a designação para Esgoto Industrial, numa fase em que as influências eram já outras. Por essa altura já Nuno Costa abandonara o grupo, sendo este constituido pelo líder Pedro Barros, Nuno Barros e mais tarde Paulo Afonso. Foram uma das primeiras bandas a praticar, em Portugal, música industrial clássica, na linha dos Einsturzende Neubauten da sua primeira grande fase que, aliás, foram a sua grande inspiração. Distorção, rebarbadeiras, martelos pneumáticos, lixo urbano, guitarras em chamas, tudo servia de leitmotiv para criar uma anti-música intensa e destrutiva, ainda pouco original e bastante caótica, mas a dar largos passos para uma moldura deveras interessante e sobretudo pioneira no nosso país. Em meados de 1988, João Pedro Morais integra a banda como baterista e pouco tempo depois Nuno Barros abandona a mesma, passando esta a denominar-se Hospital Psiquiátrico. Nesse ano, compilam material original e recuperam alguns temas dos Esgoto Urbano e Esgoto Industrial, preparando aquela que será a sua primeira edição, "1ºElectrocoque", trabalho que será publicado dois anos depois, pela Facadas na Noite. Aproveitam o material disponível e geram um esboço daquele que será o seu segundo lançamento, "2ºElectrochoque". Este material era basicamente constituido por temas das fases pré-Hospital Psiquiátrico e nunca chegará a ser distribuido comercialmente. "1ºElectrochoque" foi basicamente gravado por Pedro Barros (guitarra, baixo, voz, objectos metálicos, sintetizador, órgão, piano, vibrafone e rebarbadeira), João Pedro Morais (percussão, objectos metálicos, voz, sintetizador e órgão) e Paulo Afonso (objectos metálicos, rebarbadeira e voz). Houve também colaborações pontuais de Nuno Costa (guitarra eléctrica, guitarra acústica), Nuno Barros (objectos metálicos, efeitos e órgão) e Alexandre Fernandes (aka Alex FX, sintetizador e caixa de ritmos). No dia 1 de Maio de 1988, Pedro Barros suicida-se, saltando do tabuleiro da Ponte da Arrábida para o Rio Douro. O grupo entra então num período de limbo, situação que se agrava com o abandono de João Pedro Morais. Mantem-se apenas no seio da banda um subalterno Paulo Afonso que acabará por decidir continuar com o grupo e assumir a sua liderança. Sem novas composições, Paulo Afonso autoriza finalmente a edição de "1ºElectrochoque" pela Facadas na Noite como desejara o seu falecido líder. Contudo, fruto de uma personalidade quase bipolar, volta a assinar apenas um ano depois com a Tragic Figures para uma reedição do mesmo trabalho. Promove ainda alguns concertos ao vivo na zona metropolitana do Porto e uma série de edições em selos estrangeiros. Com o passar do tempo, o grupo acaba por desaparecer da cena musical. Em 1998 surgiu, no entanto, editada no jornal Blitz, uma intrigante notícia referindo que a banda ainda existia e se dedicava a sonoridades mais próximas do dub e da música de dança. Previa-se uma actuação no Festival da Praia de Mira, onde iriam estar presentes bandas como os Clawfinger e Senser. Não se sabe quem integrava o projecto por essa altura.

DISCOGRAFIA


1ºELECTROCHOQUE [Tape, Facadas na Noite, 1988]

2ºELECTROCHOQUE [Tape, Não Editada, 1989]


3ºELECTROCHOQUE [Tape, Bestattungsinstitut, 1989]

SANATÓRIO A ARDER [Tape, Edição de Autor, 1989]


1ºELECTROCHOQUE [Reissue] [Tape, Tragic Figures, 1991]

COMPILAÇÕES


INSÓNIA [Facadas na Noite, Tape, 1990]


CORROSÃO CEREBRAL [Tape, K7 Pirata, 1991]

PRESS
Finisterra, Miguel Santos, Blitz nº309 de 02-10-1990

7 comentários:

erradiador disse...

Olá,
tropecei nesta review por causa de uma pesquisa sobre a tragic figures e parece-me que precisa de ir para o estaleiro (ou p/ o recobro) - há elementos importantes no discogs que se podem acrescentar e algumas informações da review são dúbias como seja o suicidio do Paulo Afonso, pois quem se suicidou foi o pedro barros. depois vê isso. abraço.

Bourbonese disse...

Viva. Sobre a troca dos nomes é realmente grave. Foi o Pedro barros que se suicidou, atirando-se do cima da Ponte D. Luis para o Rio Douro. Sou contemporâneo do ocorrido, conheci o Pedro pois estudava na altura no Porto. Cheguei a ve-los ao vivo, inclusive. A discografia do Discogs está infelizmente muito fraca. Falta logo a 1ª edição, saída pela Facadas na Noite. Só após a morte do Pedro Barros saiu uma edição pirata na Tragic Figures de "1º Electrochoque", que nunca se percebeu bem se foi ou não autorizada por Paulo Afonso que era uma pessoa de personalidade extremamente volátil... Não vejo grande informação adicional do Discogs. Para mim, o único release realmente interessante da bandafoi a 1ª edição, ou seja, aquele onde Pedro Barros participou.

filinto disse...

Viva.
Bom trabalho de memória, parabéns.

Conheci o Pedro, e o Paulo. Entrevistei-os para um programa que tinha na Caos e para uma fanzine - e creio que eles participaram no concerto do primeiro aniversário do programa/Zine, que decorreu no Mercedes. Não sei se sobra algum material dessa altura, mas se encontrar disponibilizo e aviso.

filipsssss disse...

A Banda ou pelo menos parte dela esta no activo.
Ouvi falar de 5 maio 2012 no Hard club

hospital psiquiátrico disse...

Boas Aqui Fala o Paulo do além desceu da terra para dizer teve uma experiencia transcendental e esta aqui neste momento a falar com o autor do artigo sobe a banda HOSPITAL PSIQUIÁTRICO QUE ESTA TUDO MAL
agradeço que retires o artigo do teu blog porque o que escreve é tudo mentira.
vais ao meu blog da banda e esta la o historico
faz o favor de copiar e meter ai ou então apagas isso porque estas a a difamar o meu bom nome que é a minha banda e parece que as pessoas que comentam tem memoria fraca
ainda estou vivo!"!!!!!!!!!

filipssss disse...

Se vens do alem não sei mas que tens um problema especial tens.
Dar ordens a malta do blog??Está bem está. és o maior pá.
A verdade é que descreves a banda conforme te dá jeito.

Anónimo disse...

Grande Paulo Afonso. O pessoal vibra com merdinhas mesquinhas. O Paulo é muito à frente! Amigo de confiança. Designer e arquitecto de profissao. Artista plastico tb. Vivencias todos temos. Cada um guarda as que quer! Abracos