29 agosto 2009

NIHIL AUT MORS



Suspeitos desde o início de uma extrema e inequívoca cumplicidade, com o espírito existencialista e pessimista da filosofia alemã consagrada por Nietzsche e Schopenhauer, os Nihil Aut Mors (Nada ou a Morte) desen­volveram um estilo muito próprio e uma estética bastante original, apesar de, nos primeiros anos, se deixaram demarcar em demasia por influências exteriores. As pretensões sonoras deste quarteto da cidade beirã da Guarda, incrementadas por valores controversos e arrogantes, envolvem num estranho manto de misticismo toda uma concepção musical até então pouco explora­da. As actuações ao vivo surgem em 1988 com a apresentação no 1º Festival da Guarda e mais tarde com uma prestação inesquecível em Celorico da Beira fazendo a primeira parte dos Bastardos do Cardeal e Pop dell'Arte. Nesse mesmo ano surge a gravação de uma maquete com 12 temas que depressa começa a circular pelos meios radiofónicos. Fora deste registo extrair-se-ia o tema "Sbrojna" editado na compilação "Insónia" da editora Facadas na Noite. Actualmente debatem-se com inúmeras tentativas de edição em vinil do recente registo «Super», gravado em Agosto de 1989 no Rangel Estúdio da cidade do Porto. Desta feita, as intenções estão mais bem delineadas e as arestas mais polidas de forma a transformar estes 10 temas em autênticas precio­sidades. Além do místico "Sbrojna", poderemos delei­tar-nos com um conjunto diversificado e prome­tedor de um bom futuro no panorama actual da Nova Música Portuguesa. Tomemos como exemplos as pérolas negras de "Inter Vivos" ou "Taads", o jejum de "Non Omnis", o magní­fico e cada vez mais envolvente solfejo de latim por parte de Christus Prata em "Infernis", "Ei Ei Au Lá" ou ainda "Sub Arta". No entanto fica-nos na cons­ciência a massificação fúnebre de "Postume", tema que poderão disfrutar na colectânea "Insurrectos" da independente Área Total. Surge também um facto novo na vida dos Nihil, que é a exploração de outras línguas na música, o francês no tema "Rituelen" e o inglês no "Super". Estiveram para lançar um LP pela MTM mas foram enganados pelo mentor da editora, o que talvez tenha levado ao fim do projecto. A formação original do grupo não sofreu grandes transformações desde 1986, data da sua aparição até hoje. Regista-se apenas a saída do baixista original Adaixo e a sua substituição por Paio. Luís Christus Prata, vertera o cálice que há muito ficara exilado no purgatório e, empunhando o sacrifício, assume a liderança estética deste quarteto, revelando uma voz magne­tizante como um animal proposto ao Juízo Final. A banda era formada por Vítor Afonso (guitarra), Luís Prata (voz), Rui Monteiro (bateria) e Adaixo (baixo). As influências eram basicamente provenientes dos The Fall e Joy Division. [Fernando Alagoa]

DISCOGRAFIA


SUPER [Tape, Tragic Figures, 1989]

COMPILAÇÕES


INSÓNIA [Tape, Facadas na Noite, 1990]


INSURRECTOS [LP, Área Total, 1991]

RITUAL DE INICIAÇÃO [Tape, Ritual de Iniciação, 1992]

CASSETES
Demo Tape 1987 12 37:19
Demo Tape 1990 8 28:06

PRESS
A Aniquilação do Ócio Espiritual, Ibérico nº1, Inverno 1988
Finisterra, António Pires, Blitz nº223 de 07-02-1989
Aures Habent Et Non Audient, Fernando Alagoa, Ritual nº1 de 01-1991

1 comentários:

O Homem Que Sabia Demasiado disse...

Que belo texto descobri aqui sobre os Nihil Aut Mors! Obrigado.

Já agora, acabei de colocar há dias excertos do memorável concerto no Parque Municipal da Guarda, em Agosto de 1989, juntamente com os Pop dell'Arte e os GNR - http://www.youtube.com/watch?v=SYqgFiXA9W8

Abraço,
Victor Afonso