16 agosto 2009

TURBO JUNKIE



Oriundos das cinzas dos Ulisses Cobarde e Os Heróis ou dos Pine-Up Palhaço Atómico, os Turbo Junkie nasceram em 1991 em Vila do Conde, formados pelos irmãos Simão (voz), Paulo (guitarra, voz) e Domingos Praça (baixo), acompanhados por Luís Dio (bateria) e Paulo Agra (guitarra). Foram, na sua essência, uma das bandas portuguesas revelação da década de 90 tendo sabido, ao longo dos anos, construir um sólido estatuto de culto. Foram também dos primeiros grupos nacionais a defender, sem hesitações, a opção de cantar em inglês. "É uma questão de estética e de feeling em fazer as coisas. A lingua portuguesa não tem musicalidade suficiente. Temos que perder esses preconceitos patriotas. Nós somos cidadãos do mundo e não de Portu­gal. A ideia de que somos portugueses é retrógada". O grupo nunca foi propriamente inovador - até porque praticamente já tudo se inventou no seu estilo -, mas sempre foi competente. Nessa vertente, os Turbo Junkie sempre deram cartas: "Queremos fazer as melhores músicas que já se fizeram até hoje. E isso vai acontecendo: cada vez que construimos uma música, surpreendemo-nos a nós mesmos, a pele fica arrepiada e isso é o melhor que pode acontecer". Estrearam-se no Concurso de Musica Moderna da Câmara Municipal de Lisboa realizado no Johnny Guitar e desde logo despertaram o interesse de Aurora Pinheiro, que acabou por assegurar o management da banda. Participaram nas colectâneas "Distorção Caleidoscópica" (com o tema "Paraexcited Dreams") "The T Secret Sessions" (com" The Last of The Lone­some Cowboys"); fizeram dois vídeos para a Latina Europa e editaram o seu primeiro albúm com selo Numérica. A produção do disco esteve a cargo da banda e Daniel Lazarus, tendo sido misturado por Marston Bailey. Insistentemente anunciada e que nunca chegou a ver a luz do dia foi a edição da cassete "As Putas do Rock'n'Roll", que teve lançamento previsto pela EI Tatu. O nome para esta maquete não foi escolhido ao acaso: "Somos putas do Rock'n'Roll, pelo menos as únicas que assumimos. Sem preconceitos. Somos filhos do rock'n'roll, somos a geração que nasceu e cresceu a ouvir o rock, ou seja, somos uma geração de priveligiados". Após passarem por algumas modificações na sua formação, a banda passou a ser constituída por Simão Praça (voz), Paulo Praça (guitarra e voz), Nuno Almeida (bateria), Joaquim Soares (baixo), Renato Dias (guitarra) e Susana Marques (voz). Em 1995 lançaram o álbum "Junkie For Sale" e dois anos depois foi editado "Used", disco onde contaram com a participação de Viviane numa versão de "Bonnie & Clyde" de Serge Gainsbourg. Se, com o primeiro disco, conquistaram a simpatia do público e da imprensa, em "Used" exploraram novas direcções, permitindo um quase renascimento do grupo que apresentava então uma nova atitude e muita descontracção, muito graças à presença do produtor Marsten Bailey que fomentou a ideia de fundir instrumentos tradicionais com estruturas de rock. A caixa "Three, Two, One", lançada em 1998, incluiu os dois primeiros discos da banda e "Junkie Radio Sessions", registo gravado ao vivo na Antena 3 com três temas originais ("Nameless", "Free as a Fucking Bird" e "Eye Believe"), as versões de "Tomorrow Never Knows" dos Beatles e de "She´s So Fine" de Jimi Hendrix bem como uma faixa multimédia com o teledisco de "Switch On" (menção honrosa no II Ovarvideo). Em 2000 é editado o álbum "Turbojunkie" que incluia os temas "Happy" e "Sun In My Face" que, aliás, tiveram direito a edição em single. O álbum contou com as participações especiais de Quico (loops, programações, ex-Poke e Salada de Frutas) e Elísio Donas (teclista dos Ornatos Violeta).

DISCOGRAFIA


JUNKIE FOR SALE [CD, Numérica, 1995]


SWITCH ON [CD Single, Numérica, 1997]


USED [CD, Numérica, 1997]


JUNKIE RADIO SESSIONS [CD, Numérica, 1998]


TURBO JUNKIE [CD, Big Thing, 1999]


HAPPY! [CD Single, Big Thing, 1999]


SUN IN MY FACE [CD Single, Big Thing, 2000]

COMPILAÇÕES


T-SECRET SESSIONS 02 [Tape, Peresgótika, 1992]


DISTORÇÃO CALEIDOSCÓPICA [LP, MTM, 1992]


JOHNNY GUITAR: AO VIVO EM 1994 [CD, Johnny Records, 1995]


RITUAL ROCK 01 [CD, Numérica, 1995]


REPÚBLICA DAS BANANAS [CD, Numérica, 1995]


RITUAL VIDEO CLIPS 97 [VHS, Ritual, 1997]


AO VIVO NA ANTENA 3 [2xCD, Nortesul, 1998]


ON05 [CD, Artes & Leilões, 1999]


PROMÚSICA 38 [CD, Promúsica, 2000]

PRESS
As Melhores Músicas que já se Fizeram, Ricardo Alexandre, Ritual nº8 de 1995
Frique-Chiques à Venda, Jorge Manuel Lopes, Blitz nº545 de 11-04-1995
Nova Partida, Nova Viagem, Jorge Manuel Lopes, Blitz 660 de 24-06-1997
O Moderno Revivalismo, Maria João Ferreira, Promúsica 07, 07-1997 [CAPA]
Contagem Decrescente em Nome do RnR, Ricardo Braga, Promúsica 23 de 12-1998
Começar de Novo, Ricardo Braga, Promúsica 33 de 10-1999
A Realidade a Cores, Jorge Manuel Lopes, Blitz nº795 de 25-01-2000
Baralhar e Voltar a Dar, Cameraman Metálico, Raio X nº 30 de 08-04-2000

4 comentários:

cr disse...

O disco do Johnny Guitar é de 1995. A refêrencia do disco até começa por 95.

Continuando com as datas. O que conta é a data que está inscrita no disco ou a do lançamento do mesmo?

Parece que o disco da "República das Bananas" foi lançado em Janeiro de 1996 (a confirmar) e na biografia da rádio Comercial diz "Em 2000, lançam o seu mais recente "Big Thing", pela editora Big Thing, ...". Uma ideia era colocar 2000* (com o asterisco a indicar que existe um motivo para colocar uma data diferente da do disco).

É normal (em todo o mundo) agendar-se a saída de um disco para determinado mês e depois haver atrasos no lançamento.

cr disse...

Esqueci-me de apontar que falta On no "Swith On".

cr disse...

Não sei qual é o rigor das datas de edição do site das jojo's mas apontam a data de 3 de Fevereiro de 2000.

http://www.cdgo.com/artigoDetalhe.php?idArtigo=1606990

Também existe a questão do nome da banda, umas vezes tinha Turbo Junk I.E., depois Turbo Junkie e finalmente Turbojunkie. Já parece o caso dos Jafu-mega com a escrita do nome de várias formas.

Bourbonese disse...

As informações da Jo-Jo's são interessantes apenas para complementar ou confirmar outras fontes. Normalmente catalogam os discos por data de colocação no mercado, normalmente da última reedição (caso exista).