05 dezembro 2009

CIO SOON



Constituído, inicialmente, apenas por Miguel “Aramis” Ribeiro, que tocava todos os instrumentos e fazia as programações, o projecto foi fundado durante o Verão de 1994, em Guimarães. A ele junta-se, em breve, Rui “Puto” Dias (Bergen Belsen, Joana Dark) e, pouco tempo depois, apareceria em circulação o seu primeiro tema, "Tásquilhado" (nome de um bar de Guimarães frequentado pelos seus elementos), que depressa se torna num hino local. Sob a designação colectiva de Cio Soon - nome que pretende ser apenas um trocadilho com o dito inglês “see you soon”, não pretendendo significar nada em especial -, vão aparecer, no ano seguinte, no volume 2 da compilação “Ritual Rock”, precisamente com esse tema, o que lhes irá granjear exposição nas rádios para além de boas críticas na imprensa. Durante esse ano ainda, a formação da banda vai ser aumentada com a entrada de Ricardo “Formiga” (ex-Ritual Profano, Ego Mysterium, Gnu & Os Bilu-Bilu, Barca do Inferno) para o baixo, e de Feliciano para as programações. Começam, então, a surgir as actuações ao vivo, durante 1996, mormente nas “Noites Ritual Rock” e no festival “Garagem”. Deste último, resultará uma compilação homónima em que participarão com o tema “Eu Não!”. As duas faixas incluídas nas compilações apresentam já o seu som característico de fusão entre as electrónicas e as guitarras, aproximando-se quer de uns Prodigy, quer de uns Carter, The Unstoppable Sex Machine, embora com uma cadência mais industrial que estes. Contando, ao vivo, com a esporádica colaboração de Ana Ribeiro nas programações, vão sentir a necessidade de reforçar essa secção, dando-se a inclusão de Marco Oliveira. 1997 reveste-se de importância capital na sua progressão. Não só vêem incluídas mais três faixas (e intro) na nova compilação da Ritual Rock, como uma na “Raise: Deixe de Ser Duro de Ouvido vai para o Campo. Em Paredes de Coura”, outra na “Promúsica“ (“Big Bad Man”) e outra na “Noise Sessions” (esta já retirada da maquete), como irão actuar, também, no festival de Paredes de Coura. Para além disso, lançam em Julho a sua primeira demo oficial, a cassete “Area 51”. Por esta altura, o som já havia evoluído, tornando-se mais denso e obscuro, mas sem perder nunca uma dose de humor. Se, por um lado, o som lembra um pouco os Nine Inch Nails (especialmente da fase “Pretty Hate Machine”), por outro detectam-se referências de Tones On Tail (vide “What?”). Simultaneamente, na faixa “Tusa em Siracusa” remetem para um Pedro Abrunhosa em ácido (especialmente na vocalização). Esta maquete vai abrir-lhes as portas para mais concertos ainda, chegando a actuar com os Senser (banda com a qual tinham certas afinidades sonoras) no Festival de Mira, já em 1998. Entretanto, tanto Rui como Feliciano abandonam o projecto, passando Miguel a ocupar-se das guitarras (para além da voz) e entrando Paulo Alves para as programações e samplers. Será esta a formação que, em 1999, gravará e lançará o EP “Don’t Walk” via Independent Records. Com um carácter, em certa medida, mais experimental, o CD apresenta os Cio Soon mais ligados a novas referências, procedendo à sua desconstrução. Se, por um lado, os Prodigy continuam a ser ponto de referência, por outro encontram-se múltiplas tonalidades que remetem a The Jesus And Mary Chain (fase do “Honey’s Dead”), bem como alguns salpicos de The Young Gods. Malgrado esta auspiciosa estreia, o grupo não durará muito mais tempo e, por volta de 2000, terminava. Formiga dedica-se mais ao seu projecto pessoal, The Ant (depois Ant Farm), que já tinha sido o vencedor do Prémio Maquetas do jornal "Blitz", em 1998, e havia participado no festival de Paredes de Coura de 1999, sendo praticante de uma sonoridade lounge/easy listening. Quanto a Miguel, passa igualmente a dedicar-se ao seu projecto paralelo aos Cio Soon, os Kung Fu Trunx, nome inspirado no seu gosto por artes marciais e em Trunx, a sua personagem favorita da série de anime Dragon Ball. Tendo-o iniciado durante 1997, e ocupando-se de todos os instrumentos (vozes, guitarras, teclados, programações, samplers e baixo), pretendia expressar uma vertente mais electrónica e dançável que o trabalho que desenvolvia com os Cio Soon e não se enquadrava no âmbito desse projecto. Grava, então, uma demo com três temas, que irá ganhar o Prémio Maquetes da Deixe de Ser Duro de Ouvido, na categoria de dança. Embalado por referências como Tricky, Massive Attack ou Thievery Corporation, para além dos inevitáveis Prodigy e os seminais Kraftwerk, o som deste trabalho reflecte essencialmente uma interpretação pessoal da electrónica. Este trabalho consegue algumas boas críticas e exposição na rádio, bem como lhe serve de cartão de apresentação para os concertos que, entretanto, começa a dar (Cais do Rock ou Paredes de Coura, por exemplo). Desde aí, o projecto não tem dado passos tão rápidos como os que merecia, devido a vários factores (mormente profissionais e de situação geográfica). No entanto, vai expandir-se com a inclusão de colaborações diversas: Joana e Ana Luísa (vozes), Carlos “Pastel” (dos Clockwork, guitarra), Feliciano (ex-Cio Soon, samplers), entre outros. Paralelamente, o leque de referências sonoras alarga-se, abrangendo áreas mais industriais, ambientais e experimentais. A assinalar, no ano de 2000, a inclusão de temas seus em dois volumes da Promúsica (“Nature Blues” e Naked”). Dezembro de 2008 vê os KFT musicar ao vivo “Frankenstein”, de James Whale, contando, para isso, com uma versão alargada do projecto, incluíndo, para além de Miguel Ribeiro (programação, teclas, guitarra e voz), Bruno Ferreira (bateria e percussões) e Pedro Paredes (baixo e guitarra portuguesa). Em 2009 voltam aos palcos, estando prometido (mas sempre adiado) um CD de originais a editar a expensas próprias. [Paulo Martins]

DISCOGRAFIA


AREA 51 [Tape, Edição de Autor, 1997]


DON´T WALK [CD Single, Independent Records, 1999]

COMPILAÇÕES


RITUAL ROCK 02 [CD, Xinfrim, 1995]


GARAGEM [CD, Garagem Records, 1996]

DDSDDO VAI PARA O CAMPO EM PAREDES DE COURA [Tape, DDSDDO, 1997]


PROMÚSICA 03 [CD, Promúsica, 1997]


RITUAL ROCK 03 [CD, Xinfrim, 1997]


NOISE SESSIONS [CD, Garagem, 1997]


EL ROCK [CD, Guimarães, 2012]

PRESS
Cio Soon, Carlos Vieira, Ritual nº9 de 1996
Destaques, Promúsica 03 de 03-1997
A Adrenalina a Subir, David Pontes, Pop Rock/Público nº 2584 de 09-04-1997
Para Ver em breve e em Grande, Pedro Gonçalves, Blitz nº 640 de 04-02-1997
O O Himenóptero Cool, Jorge Manuel Lopes, Blitz nº 769 de 27-07-1999

5 comentários:

uno disse...

O CD prometido é de KFT? O Ricardo Formiga tem alguma coisa a ver com um dos vencedores dos prémios maqueta?

Vozes Distantes disse...

Viva! tudo bem?
Sim, o cd prometido (e sempre adiado) é dos KFT. O Formiga, através do seu projecto a solo "Ant", foi vencedor do prémio maquetes do Blitz em 1998.
Abraço,
Paulo Martins

Miguel disse...

T+a muito bom este historial, há aqui coisas que já nem me lembrava.
Abraço

uno disse...

Sugeria que a parte dos KFT passasse para uma nova entrada. Sei que a compilação "Prémios Maqueta 97 vs. Prémios Maqueta 98" lançada pela revista Prómusica em
2000, tem a faixa "Nature Blues" dos Kung Fu Trunx. O "My Wave" dos The Ant também está incluída na mesma compilação.

Vozes Distantes disse...

Sim, de facto esqueci-me de referir essa volume da Promúsica... Obrigado por teres chamado a atenção para isso :-)
Quanto a uma entrada só dos KFT, é uma hipótese que não descarto para um futuro próximo, até porque estou a reunir mais material sobre esse projecto.
Um abraço,

Paulo Martins