16 janeiro 2010

30 ANOS



30 Anos - A Maior Banda do Rock Português
António Murteira da Silva, Rui Costa, Bertrand Editora, 2009
Há já muito tempo que não lia um livro tão mau! A abordagem oportunista feita à história dos Xutos & Pontapés pelo dois jovens e imberbes autores, lançada para o mercado em vésperas de Natal e com a chancela da Bertrand, apenas é válida porque, no volume, se podem encontrar fotografias raras de uma altura não muito bem documentada da história do grupo. O autor das mesmas é Peter Machado, antigo membro dos Minas & Armadilhas e Vodka Laranja. De resto, até as restantes fotografias que ilustram o livro, da autoria de um dos autores e de Cameraman Metálico, são equivalentes à qualidade do conteúdo do texto: miseráveis. Não concebo como se pode ser tão desonesto ao ponto de se escrever algo sobre o projecto liderado por Zé Pedro sem se evocar claramente o incontornável "Conta-me Histórias" de Ana Cristina Ferrão, esse sim, um livro que vale a pena ler e reler. Só por desonestidade intelectual... A sensação com que se fica ao ler o texto é que nada de novo se está a apreender e tudo nos remete, com saudade, para textos melhor documentados e escritos com verdadeira paixão. Ridículas são também as introduções às várias fases do grupo, com uma abordagem global à época vivida. Dignas de uma redacção escolar. Valha-nos São Peter Machado.

7 comentários:

Anónimo disse...

Eu já li o livro e acho precisamente o contrário. Muito bem escrito, interessante sem ser maçudo, cuidado e inteligente na forma como aborda e enquadra a carreira da banda. Em relação ao autor da critica parece-me que nao sabe nem sequer escrever (porque sao vários os erros ortograficos no texto) como é que se "atreve" a fazer critica literária...
Eu dou nota muito positiva ao livro !!

Bourbonese disse...

Meu Caro anónimo
É uma opinião que respeito pois, por certo, não terá lido muita coisa na sua curta existência. Já leu o livro? Já leu, por exemplo, a bibliografia? Diga-me lá, sucinta e objectivamente, quias os méritos encontrados. E faça equivalências a outros tomos sobre o grupo. Tem, por exemplo, quase sobre o mesmo tema, um outro livro que, sem ser maçudo, é uma referência: a bibliografia de Zé Pedro escrita pela sua irmã. E diga lá onde estão os erros. Seja concreto, sff.

Rui Costa disse...

Olá
O meu nome é Rui Costa.... e escusado será dizer que sou um dos autores do livro aqui criticado.
Em primeiro lugar muito obrigado pela critica e pelo apoio aqui demonstrado nos vários comentários.

Em segundo lugar acho muito sinceramente que deveria (re)ler o livro, porque algumas referências que crítica estão na obra literária.

Em terceiro lugar o livro não demonstra nada de oportunista, foi escrito por dois jornalistas, dois admiradores dos xutos, com colaboração de várias pessoas a eles ligadas..... mais uma vez se lesse o livro saberia da importância que essas figuras públicas nacionais tiveram na carreira desta grandiosa banda.

Dispensamos ainda redundâncias, comentários óbvios e faltas de conhecimento. No entanto como não gostamos de criticar sem demonstrar o que falamos aqui está para seu conhecimento - Imberbe significa: muito jovem, sem barba, rapaz, moço.
Dito isto se reparar nas fotografias dos autores que acompanham o livro verá que sim somos jovens, somos rapazes e ao contrário do que nos acusa... temos barba.
No seu texto refere: "pelos dois jovens e imberbes autores". Tem logo aqui uma possivel redundância que peca por falta de esclarecimento.

No que diz respeito ao Sr. Peter Machado, agradeço em nome dele, pois julgo ter essa autoridade e autonomia, pela amizade que nos une. Quanto aos restantes fotógrafos, é no mínimo de bom senso não ofender só por ofender. Pode não gostar das fotografias tiradas, e está no seu direito mas deixe-me informá-lo que os restantes fotógrafos trabalham há várias dezenas de anos no ramo do fotojornalismo, é apenas lógica a conclusão que a sua longa e experiente carreira fale pela qualidade do trabalho.

Quanto à parte final da crítica, que como referi muito agradeço, é de notar que não tem o mínimo fundamento visto que foi uma linha de pensamento que decidimos seguir em conjunto com a Bertrand (a maior editora nacional), pela qual temos sido muito elogiados por pessoas dos mais variados sectores da sociedade portuguesa.
Se não gosta do enquadramento histórico está no seu pleno direito, para nós era essencial esse enquadramento visto as gerações mais novas estarem informadas sobre a razão pela qual a sociedade da época tanto influenciava a banda.

Gostaria de salientar qua algumas criticas que refere, no caso das fotos e do enquadramento histórico, peço que da próxima vez tenha mais cuidado com o que refere visto estar a criticar não só os autores, bem como o tema abordado e a editora. Editora essa que tem larga experiência em Portugal e tem profissionais valiosíssimos no mercado literário nacional.

Para finalizar e aproveitando para reforçar novamente a ideia já referida anteriormente, obrigado pela crítica e por ter tomado em conta o nosso livro.

Atentamente

Bourbonese disse...

Estimado Rui Costa,

A minha opinião já foi expressa: Salvo erro, ainda a posso ter.

Vamos por pontos:
1. O oportunismo refere-se, única e exclusivamente, a dois factos:

a) A altura em que o vosso livro foi lançado não é nada inocente. Porém, esse critério terá mais a ver com a questão comercial que é perfeitamente defensável, sobretudo nos dias que correm.

b) O livro não trazer ABSOLUTAMENTE nada de novo (com excepção das referidas fotografias), numa altura em que todos os restantes livros sobre a banda se encontram comercialmente disponíveis.

2. Os testemunhos que refere não são novos. Estão todos noutros livros. O facto de terem entrevistado essas pessoas não significa, per si, que estes contribuam com algum valor acrescentado. Pode ser difícil, mas têm forçosamente que compreender isto.

(continua)

Bourbonese disse...

(continuação)

3. Desconheço por completo porque os autores - o seu parceiro preferiu enviar-me um e-mail directamente com conteúdo discutível e a roçar a má-criação, em vez de se expôr publicamente - estão tão chocados com uma simples opinião. Para se ser um bom jornalista tem que se estar apto a aceitar opiniões distintas da vossa, desde que fundamentadas. Contudo, sou de opinião que não há actualmente grandes jovens jornalistas. Os empregadores são poucos, a funcionar quase em regime de cartel, e os campos minados por interesses, amizades e compadrios. Estamos em Portugal, sabia?

4. Explique-me lá sff onde estão as "redundâncias, comentários óbvios e faltas de conhecimento" que apontam à minha crónica. Falta de conhecimento é, como encontrei num seu blogue que fui procurar para conhecer o seu trabalho e asber com que falo, não saber escrever em português: "pedaçinho" escreve-se "pedacinho"; "sargeta" escreve-se "sarjeta", "entitulada" escreve-se "intitulada" e por aí fora. Atenção que não estou a falar de "erros" originados por escrever rapidamente num teclado, como muitos que, por certo, irá encontrar neste blogue e em muitos outros. Estamos na presença de erros ortográficos básicos. Eu faço isto por prazer, não sou jornalista, não sou editado pela Bertrand, não fui socialmente acariciado pelos mais diversos sectores da sociedade. Estou apenas a fazer esta "porra" porque me apetece faze-lo e não tenho mesmo qualquer outra pretensão pois a minha vida não é, nunca foi nem deseja ser esta.

5. Sobre a questão das fotografias nem vou perder tempo. As da autoria de Peter Machado são altamente relevantes pois cobrem um período histórico pouco documentado na história dos X&P, sendo originais. Nem sequer falo do seu valor artístico pois poderiam não é esse o ponto de vista que interessa. Há fotografias de péssima qualidade que não deixam de ter elevado valor documental. Já ouviu falar em Frank Cappa e nas fotografias do desembarque na Normandia? Sobre as restantes fotografias, prefiro nem me pronunciar, tão óvia é a situação e quem tem o livro que retire as suas próprias conclusões. É fácil encher-se páginas com textos e fotos. Já agora, e a título de curiosidade, se são jornalistas e estão tantas vezes a lembra-lo, qual é o vosso CV? O que fizeram até hoje para além, de muito provavelmente, terem um cartão a dizer que são jornalistas ou tiraram o curso XPTO? É que estão constantemente a referir que são jornalistas como se isso vos conferisse toda a autoridade do mundo. Muito provavelmente - e sobre o mesmo assunto - Ana Cristina Ferrão ou Helena Reis nunca foram jornalistas e deram origem a obras com algo de relevante e que encerra uma mais valia, por comparação com o vosso trabalho.

6. Gostei da frase em que refere que foram "elogiados por pessoas dos mais variados sectores da sociedade portuguesa". Quero lá saber disso! Quantos já o foram? Quais são esses sectores? Os jornalistas da noite lisboeta? Acordem! Este é o país real. E não o país em que vivem, que galardoa Santana Lopes por altos serviços prestados à Nação, que promove gerações de morangos com açucar e toda a mediocridade, onde Cláudio Ramos é escritor e tem tempo de antena, onde se escrevem livros como o vosso quando há obras relevantes no fundo das gavetas de inúmeros autores com algo a dizer e que, caso não avancem com edições de autor, nunca o poderão fazer. E pensam que a Bertrand, lá por ser a maior editora nacional, pode branquear tudo isto? Provavelmente é mais um dos agentes que levou a esta situação, promovendo muito do oportunismo social que possa gerar lucros. Já ouviu falar em literatura "light"? A Bertrand não a editou? Não recusou já milhares de autores com valor que não tiveram a oportunidade que vos foi dada?

Mais não escrevo sobre este assunto. Tenho mais que fazer! Para mim, esta foi mais uma crónica num blogue. Para os autores do livro parece ter sido um caso de vida ou de morte.

Atentamente

rc disse...

Não posso falar do livro porque não o conheço. O da Ana Cristina foi reeditado em 2009. Neste caso também se pode falar de oportunismo mas ainda bem que a Assirio & Alvim achou que merecesse essa reedição. Folheei o livro de Tony Carreira (que é um volume muito mais luxuoso e também da Bertrand), quando saiu, e encontrei muitos textos pouco felizes. Quanto aos erros ortográficos: para que servem os editores? O Gabriel Garcia Marques não é referido como dando muitos erros? Um coisa é a qualidade da escrita outra são pormenores facilmente corrigidos.

rc disse...

Também saiu um livro com letras dos Xutos para crianças. O nome Xutos vende por isso a questão do natal é apenas um pormenor. Por outro lado cada vez há mais editoras e mais livros no mercado. Também se pode olhar para o mercado livreiro e dizer que "qualquer pessoa" escreve um livro. Neste caso estou a falar dos vip's que escrevem livros ou das duas entrevistas que fazem logo uma biografia.