31 janeiro 2010

LEONEL AUXILIAR

Leonel Auxiliar é um nome que, graças a um seu depoimento espontâneo colocado na internet, começa a ser algo (re)conhecido. Editou um único single, em 1983, pela Metro-Som. O disco, apesar de frágil, é interessante porque denota algumas características não muito habituais no Portugal musical de início da década de 80. Incluíndo duas faixas, detectam-se inicialmente influências do Kraut Rock alemão, caminhando progressivamente para um cada vez mais desinteressante hard rock de pinceladas progressivas. São visíveis influências de Pink Floyd e até de Soft Machine. A história deste manifesto é simples. O registo foi gravado nos estúdios de um amigo do músico, na Alemanha, com a participação de uma banda local chamada Frapan. Da sessão resultaram quatro temas, tendo a editora optado pelos mais óbvios. A história do disco é a seguinte, contada pelo próprio músico: "Eu tocava guitarra pelas ruas da Europa quando conheci uma malta em Braunschweig, na Alemanha, numa feira de serpentes e stuff da onda. Palavra puxa palavra e acabei por entrar numa enorme loja de instrumentos onde fui atendido por Gerd Kunzer que tinha uma banda de Heavy Metal. Convidou-me para visitar o estúdio que tinha numa quinta a uns quilómetros dali. Apesar de não ter dinheiro para pagar o estúdio, ele acreditarou no projecto e gravámos uma série de temas. O tema "Canção" só tem uma nota e foi composta em menos de quinze minutos porque ainda sobrava espaço na fita e não o queriamos desperdiçar. Branco de Oliveira, responsável pela Metro-Som achou que era melhor do que as outras. Como eu já estava na Finlândia quando se deu a edição, não pude controlar minimamente aquilo que se fez". E continuando, "a capa do disco foi feita por uns amigos da Figueira da Foz e só a vi depois de estar editado. Não era aquilo que eu pretendia. Nunca fui emigrante na Alemanha. Fui para lá à procura das loucuras que são o cimento da minha existência. E por lá andei alguns meses à boleia até conhecer Gerd Kunzer que colocou o estúdio à minha disposição para essa aventura. Da banda só posso dizer bem: foram grandes companheiros e todos são hoje conceituados músicos na área da música clássica. Em 1985 escrevi doze canções para um álbum que desejei chamar "Guerrilha Urbana" mas que se recusaram a editar. Acabei por gravar mais umas coisas na Finlândia, país onde vivi durante dez anos, mas nunca foram editadas. Hoje passo a maioria dos meus dias na Figueira da Foz dedicando-me especialmente à pintura, à banda desenhada e à poesia".

DISCOGRAFIA


LEONEL [7"Single, Metro-Som, 1983]

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