17 janeiro 2010

THOSE BARREN LEAVES



Formados na Póvoa de Varzim durante Setembro de 1994, os Those Barren Leaves eram compostos por Luís Oliveira (voz), André Andrade (guitarra e programações, ex-Til) e José Briote (baixo, ex-Sonik Death e Puke). A ideia da criação do projecto terá surgido aquando de uma reunião para a ressurreição de uma outra banda, os Blind Vision, convocada por Tozé Pinho (membro da formação original) e para a qual terá sido convidado Luís Oliveira (como vocalista), estando também presente na mesma André, bem como Francisco (actual baixista dos Bal Onirique) e um tal de Paulo “Cassettes” que fora convidado para baterista. Não tendo essa ideia seguido para a frente, André e Luís decidem, mesmo assim, e durante o mes de Agosto, iniciar o seu próprio grupo. Apesar de se ter ponderado a presença de baterista no grupo, os seus membros rapidamente abandonam essa ideia, optando por uma caixa-de-ritmos que, em homenagem a uma amiga que tinha ajudado a adquiri-la, baptizaram de Marlene. Optando pela designação de Those Barren Leaves (retirada do livro homónimo de Aldous Huxley), terão a sua estreia ao vivo na passagem de ano, dividindo o palco com os Clockwork Orange, grupo que mais tarde verá o nome encurtado para Clockwork. Em Abril de 1995, o grupo actua no primeiro Festival Cais do Rock, retornando aos palcos em finais de Junho, uma vez mais acompanhados pelos Clockwork. Paralelamente, e desde Fevereiro, Luís Oliveira passa a editar um fanzine intitulado "Mehr Licht!" que, para além de versar sobre assuntos do grupo, aborda temáticas góticas ou de cariz alternativo. Em Agosto, e volvido uma ano sobre a sua formação, dá-se a saída de Briote, que vê o seu lugar ocupado por Hugo Correia. Logo de seguida, em Outubro, é editada a primeira demo da banda, em edição limitadíssima, incluindo três temas gravados ao vivo no Cais do Rock (dois originais – “In the Orchard of the Lord” e “Thoughts” – e uma versão de "Red Light" de Siouxsie & The Banshees). Possuindo um bom som, a demo apresenta os TBL como um grupo que, pese embora o curto tempo de existência, já se mostrava seguro e consciente do caminho que pretendia seguir. Oscilando entre as ambiências góticas e a energia do pós-punk, os temas deixam antever bem todo o potencial da banda. Esta demo vai permitir-lhes participar no 1º Festival Gótico realizado no Bar Palha d’Aço, situado no Porto (onde actuam com os Martyrium, Ignoto Deo e The Sisterhood of Shadows). Entre os finais de 1995 e inícios de 1996, o grupo trabalha, em estúdio, no registo da sua segunda demo. Pretendendo incluir 10 temas (mais os três ao vivo da demo anterior), só quatro é que irão ser gravados, acabando o registo por sair com apenas três (“Nose Dive”, Looking For Life” e “Untold” – ficando “Ash” de fora), devido, especialmente, ao abandono de Luís, ocorrido no final de Fevereiro. A nova demo apresenta os TBL com um som mais experimetal e ambiental. Na faixa “Untold”, o grupo conta com a colaboração de Lara Mafalda, como vocalista. O abandono de Luís obriga o grupo a integrar um novo vocalista, papel que será dado a Sérgio Escudeiro que também tocará guitarra. Por essa altura, dois temas retirados da demo são incluídos na compilação “Crime no Paraíso”, editada pela Enochian Calls. Não tendo conseguido finalizar esse primeiro trabalho de estúdio, o projecto começa a trabalhar num novo registo, pretendendo regista-lo em Agosto. Essa intenção será gorada com a saída de Hugo já no início desse mês. André e Sérgio começam, então, à procura de um novo baixista, papel esse que irá recair em Luís Morim. Da formação inicial apenas se mantinha André, o que provoca uma alteração do nome da banda que passa a chamar-se The Light Beneath The Leaf, título que pretende denotar a ideia de continuidade e a existência de uma espécie de luz que transitara para o novo projecto. Inicia-se uma fase em que o grupo trabalha em novas composições e refaz algumas anteriores. Em 1998 gravam o seu único registo, uma demo homónima de seis temas, dos quais cinco já vinham da fase anterior. Este trabalho dá seguimento ao caminho já anteriormente apresentado. A banda dará um par de concertos após a edição deste trabalho e em 2001 dá por findas as suas actividades. Curiosamente, em 2004, é divulgado um CDR reunindo quase todas as gravações ao vivo e em estúdio realizadas pelos Those Barren Leaves ainda com o Luís Oliveira. Editada pela Chrome Yellow, a colectânea intitulada de “A Those Barren Leaves Sampler”, contém 19 temas e demonstra bem a evolução sonora do grupo. A criação de uma página de tributo à banda, durante 2008, e a inclusão de uma entrada sobre ela no último livro de Mick Mercer, “Music To Die For”, tem demonstrado que o interesse pela sua música continua vivo, talvez até muito mais que na altura em que existiram. [Paulo Martins]

DISCOGRAFIA


THOSE BARREN LEAVES 01 [Tape, Edição de Autor, 1995]


THOSE BARREN LEAVES 02 [Tape, Edição de Autor, 1996]


A THOSE BARREN LEAVES SAMPLER [CDR, Chrome Yellow, 2004]

COMPILAÇÕES


CRIME NO PARAISO [Tape, Enochian Calls, 1996]

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