01 fevereiro 2010

POP DELL'ARTE



Os Pop Dell'Arte formaram-se em fins de 1984, em Campo de Ourique, tendo origem nas divergências que causaram o fim dos Ezra Pound e a Loucura. A formação inicial incluía João Peste (voz), José Pedro Moura (guitarra), Paulo Salgado (baixo) e Ondina Pires (voz e bateria). A estreia ao vivo do projecto deu-se em Março de 1985 no ISCTE, no evento "Música, Moda e Pintura". No dia 11 de Fevereiro de 1985 gravam, no estúdio da Musicorde em Campo de Ourique, uma maqueta com quatro temas ("Sonhos Pop", "Turin Welisa Strada", "Bladin" e "Eastern Streets") com vista à participação na segunda edição do Concurso de Música Moderna do Rock Rendez-Vous. Apesar do prémio principal ser atribuído aos THC (projecto ligado aos Xutos e Pontapés, cujos elementos haviam feito parte do júri!), os Pop Dell'Arte acabam por vencer o prémio de originalidade na final disputada a 5 de Maio, recebendo elogios unânimes da crítica. António Sérgio, por exemplo, declara-os a melhor banda do concurso no seu programa "Som da Frente". Surge então um convite para a gravação de um single para a Dansa do Som. A editora escolheu os temas a editar mas o grupo acaba por não aceitar o convite porque achava que essa selecção não daria uma imagem correcta da banda. É nessa altura que Sapo entra para o grupo, substituindo Ondina Pires. Pela percussão passarão igualmente Luís Saraiva (A Jovem Guarda) e Rafael Toral (SPQR). Em 1986 João Peste cria a Ama Romanta, editora que edita, em Maio desse ano, o álbum "Divergências". Em Outubro desse ano, o grupo dá o seu primeiro concerto fora de Portugal, na Discoteca El Kremlin em Vigo, juntamente com os Mão Morta. Em Novembro, após a morte de Luís Saraiva, entram para estúdio com vista à gravação do seu primeiro disco, o 12 polegadas "Querelle". O seu álbum estreia "Free Pop", já com Luís San Payo na bateria, é editado em Dezembro de 1987 e inclui vários clássicos da banda como "Rio Line", "Avanti Marinaio", "Turin Welisa Strada", Berlioz" ou "Juramento Sem Bandeira". O disco será, mais tarde, considerado um dos mais importantes álbuns de sempre da história da música pop feita em Portugal. A crítica do jornal musical britânico Sounds atribui-lhe 4,5 pontos em 5 possíveis. Ainda assim o jornal "Blitz" considera-o apenas o 10º melhor trabalho do ano. No dia 28 de Janeiro de 1988, o grupo dá um concerto histórico em Lisboa, na Aula Magna, que divide totalmente os críticos entre elogios de genialidade e acusações de fraude. Num programa da TSF, divulgado em várias estações de rádio europeias, Viriato Teles (do Semanário Se7e) diz que não gosta de Pop Dell’Arte porque "aquilo que os Pop Dell’Arte fazem não é música", enquanto João Lisboa (do Jornal Expresso) defende a banda referindo aquilo que considera a genialidade da mesma. No final do ano de 1988, os leitores do jornal LP votam os Pop Dell’Arte como melhor banda do ano; João Peste o melhor vocalista e a actuação dada em Janeiro desse ano na Aula Magna como o melhor concerto. Em Maio de 1989, a banda apresenta ao vivo, no Rock Rendez-Vous, em conjunto com os alemães Sprung Aus Den Wolken, o EP "Illogik Plastik". O EP inclui quatro temas novos - "Illogik Plastik", "O Amor É... Um Gajo Estranho", "Poema Para Noiva Circular Em Betão Armado, Plástico Cor-De-Rosa Com Rádio Digital Programado Em FM" e "Sprung Aus Den Wolken" dedicado à banda liderada por Kiddy Citny. No Verão desse ano a banda desfaz-se e João Peste cria os Acidoxi Bordel com Sapo e Zé Pedro Moura, a que se juntam Jorge Ferraz, Rodrigo Amado, David Sousa e Nuno Tempero. O grupo terá vida curta, dando por findas as suas actividades em Fevereiro de 1990. Em 23 de Fevereiro de 1991, os Pop Dell'Arte reaparecem com um concerto no Cinema Alvalade com João Peste, José Pedro Moura, Luís San Payo e os No Noise Reduction (Rafael Toral e João Paulo Feliciano) como unidade autónoma. Em Janeiro de 1992 é editado pela Variodisc o Maxi Single "2002/MC Holly" com as colaborações de Sei Miguel, General D, do travesti Salomé e de Rui da Silva. Em Março de 1993 é editado o álbum "Ready-Made". Na altura, Peste explica em várias entrevistas que o discose trata de uma homenagem a um dos seus heróis de sempre, o artista francês Marcel Duchamp. Em 1995 assinam contrato com a Polygram, editando o álbum Sex Symbol, disco que é relativamente bem recebido pela critica especializada. à dat, o projecto era constituído por João Peste (voz), Paulo Monteiro (guitarra), João Paulo Simões (guitarra), Pedro Alvim (baixo) e Luís San Payo (bateria). Depois de uma paragem de vários anos, os Pop Dell’Arte regressam em 1999 num concerto no Fórum Lisboa com uma nova formação que inclui, para além de João Peste e de José Pedro Moura, Paulo Monteiro, Luis San Payo, Tiago Miranda, Carlos Luz e João Matos. Em Dezembro desse ano gravam "Little Drama Boy" uma versão do clássico tema de Natal celebrizado por Bing Crosby. Luís San Payo e Paulo Monteiro abandonam o grupo em 2001, regressando novamente José Pedro Moura que o abandonara pontualmente para se dedicar em exclusivo aos Mão Morta, grupo que entretanto integrara. O MCD "So Good Night" é editado em Março de 2002. Trata-se do último disco de originais da banda até ao presente. Dão igualmente um concerto em Londres na discoteca Cargo, com Nuno Castedo na bateria. O tema "Army of Lossers/Indie Cent Mix" é integrado na compilação "Indiegente". João Peste participa em vários concertos do projecto Wordsong. Em Julho de 2004 participam no espectáculo "Avariações" com o tema "Linha Vida" e no início de 2006 é editada a compilação "Poplastik", disco que apresenta três temas inéditos: "J’ai Oublié (All My Life)", "Stranger Than Summertime" e "No Way Back" - este último uma versão do clássico house de Chicago dos anos 80 da autoria de Adonis. Ainda em 2006 os DJs belgas The Glimmers incluem essa versão na compilação "Fabric Live 31". Quase em simultâneo, Carlos Conceição realiza o vídeo de uma versão de "Lady Godiva’s Operation" dos The Velvet Underground, tema nunca editado até hoje. Em 2009, recebem finalmente a bênção de Adonis que integra a versão de "No Way Back" no disco intitulado "Adonis presents Pop Dell'Arte" lançado pelo selo norte-americano Mathematics. O EP contem ainda uma remistura de Steve Poindexter do tema "Querelle" e uma versão de "2 Far Gone" feita pelos The Circles. Já em Maio de 2007, o mítico tema "Querelle" havia sido reeditado pela Bloop Recordings, complementado com uma versão da autoria dos belgas The Glimmers.

DISCOGRAFIA


QUERELLE [12"Maxi, Ama Romanta, 1987]


SONHOS POP [7"'Single, Ama Romanta, 1987]


SONHOS POP [Test Pressing] [12"Maxi, Ama Romanta, 1987]


FREE POP [LP, Ama Romanta, 1987]


ILLOGIK PLASTIK [12"Maxi, Ama Romanta, 1989]


ARRIBA! AVANTI! [CD, Ama Romanta, 1991]


2002 MC HOLLY [12"Maxi, Variodisc, 1991]


READY MADE [MLP, Variodisc, 1993]


SEX SYMBOL [CD, Polygram, 1995]


SO GOOD NIGHT [CD, Candy Factory, 2002]


FREE POP [Reissue] [CD, Candy Factory, 2002]


ARRIBA! AVANTI! [Reissue] [CD, Candy Factory, 1991]


POPLASTIK [CD, Different Star, 2006]


QUERELLE [12"'Maxi, Bloop Records, 2007]


NO WAY BACK TRIBUTE EP [12"Maxi, Cafepress, 2008]


CONTRA MUNDUM [CD, Presente, 2010]


FREE POP [Reissue] [CD, Louie Louie, 2011]


BD POP-ROCK PORTUGUÊS [CD, Tugaland, 2011]


BANDAS MÍTICAS [CD, Lenoir, 2011]

COMPILAÇÕES


MÚSICA MODERNA PORTUGUESA 01 [LP, Dansa do Som, 1985]


DIVERGÊNCIAS [2xLP, Ama Romanta, 1986]


AMA ROMANTA 86/89 [LP, Ama Romanta, 1989]


SONS E TEMAS: ROCK RENDEZ VOUS [CD, Dansa do Som, 1994]


JOHNNY GUITAR: AO VIVO EM 1994 [CD, Johnny Records, 1995]


10 ANOS SEMPRE NO AR [CD, Lux Records, 1996]


POINT OF YUCCA [CD, Yucca Tree Records, 1996]


MAIS VALEM 36 MÚSICAS NO SAPATINHO [2xCD, União Lisboa, 1996]


AMA ROMANTA SEMPRE! [2xCD, Candy Factory, 1999)


INDIEGENTE [CD, Música Alternativa, 2002]


O MELHOR DO POP PORTUGUÊS 1985-1990 [CD, EMI, 2005]


T(H)REE 02 [CD, Cobra, 2012]


SONS DE VEZ 10 ANOS [2xCD, CM Arcos de Valdevez, 2012]

CASSETES
Demo Tape 1985-1986 (6 Temas, 23:35)
Rivoli, Porto 1986 (10 temas, 37:33)
Cruz Vermelha, Porto 1986 (5 Temas, 27:03)

PRESS
Renascimento e Paixão da Arte Pop, Luís Maio, Blitz nº 36 de 09-07-1985
Causas e efeitos de ser Pop dell'Arte, Luís Maio, Blitz nº 38 de 23-07-1985
O Evangelho segundo Pop Dell' Arte, Rafael Gouveia, LP nº 25 de 19-04-1985
Morte Súbita, Luís Maio, Blitz nº 106 de 11-11-1986
Becos e Decadências, Luís Maio, Blitz nº 121 de 24-02-1987
A Pop vista da Capa, Rui Monteiro, Blitz nº 121 de 24-02-1987
Free Pop dell'Arte, Paula Lima, Blitz nº 128 de 14-04-1987
Luís Sanpayo: Paixão pela Bateria, José Teixeira, Blitz nº 149 de 08-09-1987
À Margem do Free, Sérgio Coimbra, Blitz nº 163 de 15-12-1987 [CAPA]
O Evangelho segundo PDA, Rafael Gouveia, LP nº 25 de 19-04-1989 [CAPA]
Saltando das Nuvens, João Paulo Costa, LP nº 29 de 18-05-1989
Uma Noite no RRV, Fred Somsen, Blitz nº 238 de 23-05-1989
Pop dell'Arte a dar as Últimas, Paulo Somsen, Blitz nº 248 de 01-08-1989
A Rainha Voltou, Miguel Francisco Cadete, Blitz nº 330 de 26-02-1991
Pop Dell'Arte, Pedro Brinca, Ritual nº 2 de 03-1991 [CAPA]
Injecções, Edições e Eleições, Nuno Galopim, Blitz nº 390 de 21-04-1992
Pop dell'Arte no Futuro, António Pires, Blitz nº 481 de 18-01-1994
Democratização e Guerra às Elites, Pedro Gonçalves, Blitz nº 555 de 20-06-1995
Símbolos de Um Ano, Rui Catalão, Público nº 2112 de 20-12-1995 [CAPA]
Da Pop Intelectual ao Renascimento das Cinzas, Isilda Sanches, DN de 02-01-1996
Je M'Enroque, António Pires, Blitz nº 755 de 20-04-1999
Natal Experimental, Gonçalo Frota, Blitz nº 790 de 21-12-1999
Os Ladrões do Pop, Blitz nº 835 de 31-10-2000
Eternamente Arty, Hugo Moutinho, Mondo Bizarre nº 11, 05-2002
O Passeio Libertário, Gonçalo Frota, Blitz nº 914 de 02-05-2002
Boa Noite, Gonçalo Frota, Blitz nº 922 de 02-07-2002
20 Anos, 7 Vidas, Gonçalo Palma, Blitz 1083 de 02-08-2005
O Futuro no Passado e no Presente, Gonçalo Palma, Blitz 1105 de 03-01-2006
20 Anos de Libertinagem, Gonçalo Frota, Blitz 1107 de 17-01-2006
Arriba! Avanti?, Vítor Junqueira, Mondo Bizarre nº 25, 03-2006

3 comentários:

sehn disse...

as compilações MMP e JG são de gravações de um ano mas que foram editadas no ano seguinte: 1986 e 1995. penso que a edição do Div é anterior à das duas compilações da Dansa do Som.

erradiador disse...

Viva. O texto é extenso e fundamentado, mas parece-me por vezes um pouco confuso:
- em relação ao concurso RRV fica-se com a ideia q há unanimidade, mas há a história do rui Veloso q fazia parte do júri e q deu 0 pontos à banda;
- aparece referida a morte de luís saraiva, sem haver qualquer referencia anterior de ligação aos PDA;
- na parte final, as entradas e saídas também me parecem confusas, como por exemplo a referencia ao regresso de José p. moura, sem haver antes uma nota sobre a sua saída;
- o so goodnight (e não good night) aparece como cd, e deve ser classificado como cd-ep, ou mini cd;
- há a repetição - “No início de 2006 é editada a compilação "Poplastik". Em 2006, lançam a compilação Poplastik, com capa…”
- depois o texto segue a linha do no way back até 2009 e logo a seguir volta para 2007 para falar de outro disco. penso q se passasse o txt “Em 2009, os Pop Dell'Arte recebem a benção de Adonis, autor original de No Way Back, tendo o produtor incluido a versão dos Pop Dell'Arte numa edição intitulada "Adonis presents Pop Dell'Arte", editada pela Mathematics, editora norte-americana de música de dança. O EP contém ainda remistura de Steve Poindexter para Querelle dos Pop Dell'Arte e versão dos The Circles para "2 Far Gone." para a parte final da review ficava mais legível.
m. cumps

Bourbonese disse...

Já revi o texto que estava realmente confuso. Integrei todas as situações apontadas com excepção da relativa ao Rui Veloso. Isto apenas porque este era membro do juri do concurso. E o juri foi tudo menos unânime e até isenta! Dos THC e da sua pop redonda não reza a história...