04 fevereiro 2010

PREÂMBULO QUÊ



Devo ser um gajo esquisito porque, no meio de tanta folia, devo ser a única pessoa em Portugal a achar que José Cid é um dos piores compositores e intérpretes da música nacional. Para além disso, sou de opinião que o artista é revanchista e extremamente pretencioso. Bem... o Reininho também actuou, em meados da sua década gloriosa, envergando uma memorável t-shirt com a face de Marco Paulo, mas aí a história era outra pois deste esperamos sempre apanhar com um cisco no canto da boca! Não compreendo como pessoas intelectualmente equilibradas glorificam actualmente a auto-denominada rainha do RnR português! Se foi porque, quando eram míudos, ouviram muita vez o "Pão com Chouriço", o "Macaco gosta de Banana", "A Cabana junto à Praia" ou "Anita", então aconselho-os a matar o revivalismo como eu faço: ponho a ver o D'Artacão ou "Os Pequenos Vagabundos" e vem-me sempre uma lágrima aos olhos. Isto a propósito de uma banda chamada Preâmbulo Quê. Parece que o grupo, criado em 1973, teve oportunidade de gravar um disco. A rapaziada fazia um folk rock afreakalhado tão usual na época e até já tinha algumas aspirações. Letras revolucionárias, som apreciado pelos melómanos de um país subdesenvolvido, ideias determinadas. Mas apresentaram-lhes José Cid e o homem decidiu apostar neles. O resultado foi catastrófico. O músico decidiu imprimir à sua música uma sonoridade festivaleira típica dos seus temas. Assumiu as pastas de produtor e de director musical do disco. Dedicou-lhes uma frase bonita impressa na contracapa do embrulho. E assim foi tudo por água abaixo. O grupo nortenho iludiu-se e o tombo foi grande. Nunca mais ninguém lhes pôs os olhos em cima. Na banda detecta-se a presença de José Formiga e de José Norberto. A música é de cariz social pós-revolução, sendo extremamente desinteressante. As raizes do folk e até do rock progressivo que se podiam detectar lá bem no fundo das suas composições foram completamente minadas por Cid. O homem até impôs coros femininos tipo Green Windows. Impagável...

DISCOGRAFIA


TENS UM PAÍS [7"Single, Valentim de Carvalho, 1975]

4 comentários:

ARISTIDES DUARTE disse...

Sobre o José Cid ,muito havia que dizer, mas não há dúvida que ele tem importância na música nacional.
Quando eu tinha 16/17/20 anos, claro que não gostava do José Cid comercial, mas o Cid não é só isso.
Hoje, com quase 50 anos, já gosto mais das cantigas comerciais do Cid, porque as posso comparar com outras que andam por aí nas vozes da "pimbalhada". E essas têm grande sucesso. E não têm nem um décimo da qualidade das do Cid. Claro que poderá haver, sempre, quem diga que são iguais às do Cid, mas eu não concordo.
O que eu sei é que o Cid, mesmo assim, consegue , num concerto, pôr toda a gente a cantar , porque as suas canções são melodiosas.
O mais importante do Cid foi , no entanto, a sua fase "progressiva" nos anos 70 do século XX. Claro que eu também nunca esperei que ele aderisse ao punk rock (numa entrevista que deu à revista "Rock Em Portugal", em 1978 , declarou que achava muita piada`aos punks, só que estes não deveriam usar instrumentos. Muita mais gente pensava isto, em Portugal - que estava cheio de sinfónicos e "progressivos"- e não o dizia. Pelo menos o Cid não tem papas na língua).

Bourbonese disse...

É uma opinião. Respeito mas discordo da mesma. De Cid ouve-se, na minha óptica, boa parte da melhor fase do Quarteto 1111 e, para os apreciadores do género, o "10.000 Anos Depois entre Vénus e Marte". O resto é lixo, mas do mais baixo.

Anónimo disse...

Não posso deixar de corrigir alguns erros grosseiros que encontramos neste texto sobre o grupo PREAMBULO QUE (e não QUÊ).

Deixo também a minha opinião de que a critica feita a José Cid e à sua obra é arrogante e, para além de demonstrar o que eu chamo de "pequenina capacidade crítica", demonstra uma completa ignorância sobre a amplitude da obra e o percurso do músico e compositor ao longo de mais de 50 anos de trabalho.

Quanto ao PREÂMBULO QUE (e não QUÊ), e é esta a razão que me trouxe aqui, não vou perder tempo com considerações sobre a pretensiosamente eloquente análise critica que foi tecida à música do grupo. Quero apenas esclarecer que a história aqui contada é pura ficção e resulta da criatividade do seu autor.

O grupo Preâmbulo Que foi formado em Sangalhos, vila vizinha de Mogofores, onde José Cid tinha (e tem)residência. Foram os então meninos com idades entre os 16 e os 18 anos que procuraram José Cid, lhe mostraram o seu trabalho e lhe pediram apoio.

É justo deixar aqui o testemunho da forma extraordinária como José Cid recebeu e acarinhou o sonho daqueles meninos.

O disco vendeu mais do que o esperado pela Editora Valentim de Carvalho. O grupo desfez-se em 1975, a menos de um mês de entrar em estúdio para gravar o seu segundo disco. Esta a razão de mais ninguém lhe ter posto a vista em cima. José Cid nada teve a ver com este facto.

O meu nome é Luis Santiago, membro do Preâmbulo Que.

Unknown disse...

José Cid é palco, é anti playback, é músicos em palco, é rock, blues, Jazz, progressivo. fado, popular, piano, Mellotron, Moog, Solina, estúdio...
estárá sempre entre os meus favoritos: Camel, Focus, Max Webster, Eloy, Kansas, Saga, Rush, Tantra, Styx, Druid, Arte & Ofício, Jethro Tull, Genesis, Yes, Pink Floyd, Deep Purple, Black Sabbath, Sebastian Hardie, etc...
gosto destas musicas do Preâmbulo Que, um som instrumental progressivo do Quarteto 1111 muito baseado nos sintetizadores que o Cid usava na época,
os vocais são muito estilo Green Windows,
seria o Preâmbulo Que um grupo vocal?

Fernando MT Ferreira