06 abril 2010

THE MELANCHOLIC YOUTH OF JESUS



Emergindo, durante o ano de 1990, nos arredores de Vila Nova de Gaia, e pelas mãos de Carlos Santos (voz, guitarras, programações), os The Melancholic Youth of Jesus cedo se vão estabelecer como uma referência no meio underground português, criando, desde os primórdios, uma aura de culto e independência à sua volta. Como prova disso, uma míriade de cassetes com gravações de concertos ao vivo ou compilando demos, vai circular pelos ávidos seguidores do seu som denso, tingido de negro. É neste contexto que surge a compilação não-oficial "Cycle World", que reúne temas dispersos recolhidos entre o anos da sua fundação e a edição do primeiro registo oficial, a cassete "Hall of Noises", em 1992. Espelhando o fascínio do seu mentor pelos escoceses The Jesus And Mary Chain, quer a nível sonoro, quer a nível de escolha da nomenclatura para o projecto e imagética lírica, essa compilação revela, também, outras referências, tais como The Sisters of Mercy, entre outros epitomas do pós-punk. Durante esta fase, a formação vai sentindo alguma instabilidade, até que, por fim, se fixa em Carlos Santos (voz, guitarra), João Rodrigues (guitarra solo), André Aleixo (guitarra ritmo), Rui Rocha (baixo) e Paulo Duarte (bateria). É com estes elementos que o colectivo procederá, então, à aguardada gravação de um Mini-LP, a já citada cassete. Benefeciando de uma óbvia melhoria a nível sonoro (comparativamente com os títulos coligidos pelos fãs e que circulavam de mão em mão), este trabalho presenteia todos os seus seguidores com pérolas com "Drag Your Feet" ou "I Wish You Weren’t So Happy". Embora não perca a energia dos seus concertos, nem uma certa crueza própria de demo-tapes, já apresenta alguns dos tiques metálicos (embora ainda domados) de Rodrigues. Esta estreia é muito bem recebida (chegará a vender 1500 exemplares, facto considerável para um título de estreia, ainda por cima no formato cassete e em auto-edição!!!), consolidando o estatuto da banda e granjeando-lhes ainda mais concertos, sempre com muito público. Durante 1993, Carlos Santos formará os Honey Pitch, projecto paralelo e de ambiências mais experimentais, que editará uma cassete. São, também, convidados pelo programa Pop-Off para a gravação do vídeo-clip de "Drag Your Feet", ao mesmo tempo que aceitam o repto da Independent Records para a gravação de um álbum. Paralelamente, entram para o grupo Gabriel Maia (guitarra) e Ricardo Oliveira (bateria, percussão). Gravado ainda em Novembro desse ano, só verá a luz do dia em Outubro do seguinte, já em formato CD. Entretanto - e ainda antes do final de 1995 -, veem incluído o tema "Honeysuckle" na compilação "Portugal Rebelde Vol 1". Contendo seis composições, três das quais constituindo regravações de temas de "Hall of Noises" ("Drag Your Feet", "Headless People" e "Tired Poet"), o disco segue, basicamente, as pistas já apresentadas nesse anterior trabalho. O único senão a apresentar foi a rédea solta que as guitarras metálicas de Rodrigues tiveram, descaracterizando a imagem de marca da banda não tanto pelas implicações sonoras mas, e acima de tudo, pela inclusão de incaracterísticos solos rebuscados ao grunge e metal, tão em voga na altura. Tal denota-se, especialmente, nas novas canções apresentadas, dando esses arranjos uma tonalidade muito hard-rock ao resultado final. Apesar disso, o disco estava recheado de boas canções e de um feroz espírito de independência, facto que o torna, ainda hoje, num registo marcante e de referência. Inicialmente previsto intitular-se "Everybody Sucks While Jesus Fucks", acabará por sair com o título de "Lowveld", ultrapassando as vendas de "Hall of Noises". Ao mesmo tempo, tornam-se numa das bandas mais requisitadas para actuações ao vivo, tocando, não só, um pouco por todo o país, mas, também, estendendo a tournée promocional pela Europa, prolongando-a pelo ano de 1995. Nesse ano ainda, sai, via Independent Records, a compilação "Deixe de Ser Duro de Ouvido Vol 1", na qual é incluída a faixa "Headless People". Durante o biénio de 1995-1996 o disco será objecto de reedição, uma das quais será feita em conjunto com o fanzine "Peresgotika". São, aliás, os concertos e a preparação de um novo trabalho que vão ocupar os TMYOJ nos anos sequentes. Entrando em estúdio em finais de 1997, vão incluir, já em 1998, duas canções em compilações: "The Devil’s Tongue" (na "Alternative World Vol 1" e "I Ain’t Ever Going Down", num dos volumes da revista Promúsica, ainda antes do lançamento, em Novembro, do CD-Single "Wonderlust". Restando na formação apenas Carlos Santos (que adopta, temporariamente, o nome de James Kaarl Willard) e Ricardo Oliveira, o EP apresenta um novo rumo para o projecto. Já sem os riffs heavy que haviam marcado o anterior disco, a sonoridade apresenta-se mais pop, numa paleta de cores deliciosamente indie, deixando transparecer alguns resquícios das suas raízes profundas, mas alargando horizontes e definindo novos contornos sonoros. Para esta viragem, em muito contribuiu o novo papel desempenhado por Ricardo Oliveira que, além de se ocupar da bateria e percussões, irá também tocar guitarras, baixo e teclados, sendo acompanhado por um leque de músicos que incluirá João Rodrigues e Luís Oliveira (guitarras), Nelo Silva (baixo), Sérgio Pereira (teclados e guitarra) e João Costa (violoncelo). Durante 1999 é editado o longa-duração "One Life Ain’t Enough". Incluindo as composições do EP, permite uma melhor e mais abrangente visão do novo percurso da banda. Navegando por territórios não distantes de uma Sarah Records ou do shoegaze, demonstra uma maturidade a nível de concepção de arranjos que se espelha por todas as faixas. Ao mesmo tempo, a formação metamorfoseia-se com a inclusão de Agostinho Ferraz e Jorge Marques (guitarras), João Marques (baixo), Sérgio Pereira (teclados, guitarras), para além de João Costa (violoncelo) e de Sandra Silva (voz). Segue-se uma tourné, já com outra formação (Ricardo Dias na guitarra, André Couto no baixo e Luís Ferreira na bateria), que Carlos Santos aborta a meio, desistindo da prosseguir por achar que o grupo teria alcançado o seu ponto mais alto possível. Ressurgirá com os TMYOJ já em 2003, anunciando o seu regresso com a edição da compilação "A Cure 4 A Contemporary Dis-E’s" (desta feita pela mYOGENIc) que, para além de conter alguns clássicos, tem a mais valia de incluir material nunca editado. Sucedeu-se uma fase parca em concertos, em que o músico volta a ser acompanhado por Ricardo Dias e Luís Ferreira, juntamente com Paulo Costa (no baixo). Encontrando-se, de momento, a residir em Londres, Santos procedeu a mais uma remodelação da banda, estando, presentemente, a trabalhar com Francis (ex-Xutos & Pontapés, Ravel) e Pedro Solaris (dos Diva), ambos nas guitarras, e Paulo Castro (ex-Ritual Tejo, Quinta do Bill), nos teclados. Estando já finalizada a fase de pré-produção, espera-se, para breve, a edição de tão aguardado registo, edição essa que deve ser acompanhada por uma série de concertos um pouco por todo o país. [Paulo Martins]

DISCOGRAFIA


HALL OF NOISES [Tape, Edição de Autor, 1992]


LOWVELD [CD, Independent Records, 1994]


WANDERLUST [CD Single, Independent Records, 1998]


ONE LIFE AIN'T ENOUGH [CD, Independent Records, 1999]


A CURE 4 A CONTEMPORARY [CD, mYOGENIc, 2004]


THEME FOR AMBITION 1 [CD Single, Ethereal Sound Works, 2012]


DETROIT [CD Single, Ethereal Sound Works, 2013]


GUSH [CD, Ethereal Sound Works, 2013]

COMPILAÇÕES


BREEZE [2xTape, Viwit, 1991]


PORTUGAL REBELDE 01 [CD, Global Records, 1995]


DEIXE DE SER DURO DE OUVIDO 01 [CD, DDSDDO, 1995]


PROMÚSICA 19 [CD, Promúsica, 1998]


PROMÚSICA 26 [CD, Promúsica, 1999]


ALTERNATIVE WORLD [CD, Independent Records, 1999]


SEVEN [DVD, Ethereal Sound Works, 2012]


SEVEN [CD, Ethereal Sound Works, 2012]

PRESS
Os Últimos Depressivos, João Paulo Levezinho, Ritual nº 5 de 05-1992
Cristãos Novos, Pedro Gonçalves, Blitz nº 521 de 25-10-1994
Destaques, Promúsica 19 de 08-1998
Rewind, Jorge Manuel Lopes, Blitz nº 719 de 11-08-1998

7 comentários:

Smurfador disse...

A sonoridade metálica vem não só do João, como de outros membros (Gabriel e Ricardo, mais tarde também o Nelo), a formação dos Poker Alho, banda de Gaia que chegou a editar uma demo pela Guardians of Metal.

Paulo Martins disse...

Viva! Tudo bem?
Obrigado por essas achegas :-) Contudo, o que eu queria tornar mais visível foi a colaboração do Carlos, na escrita de canções, com outro elementos do projecto. Nisso, quem foi creditado foi o João. Mas, mais ainda, conhecis e vi a banda ao vivo na altura, daí saber que o contributo dos outrso tenha sido mais facilitador que criador...
Um grande abraço,
Paulo Martins

Anónimo disse...

eu dou outra achega: tantas mudanças de formação só se deram porque o Carlos Santos tinha um feitio muito dificil. sempre foi dificil trabalhar com tamanho ego.

sabotageuk disse...

Saudações Musicais!

Li com agrado este artigo sobre os The Melancholic Youth Of Jesus, e, demonstra de facto conhecimento pelo historial da banda, e, estou grato pelo tempo dedicado ao artigo e aos The Melancholic Youth Of Jesus.

Como mentor da banda e autor do grosso do reportorio dos The Melancholic Youth Of Jesus, refuto os comentarios e opiniões de "outsiders", pois claramente não tem a minima ideia do que falam, e se o bom senso diz que devia recusar-me a responder as mesmas, opto antes por esclarecer, e a evidencia està aqui de que eu e a banda sobrevivemos as mudanças, e, os outros elementos simplesmente deixaram de laborar em termos artisticos. Porque seria?

Das pessoas que vieram a pertencerem aos The Melancholic Youth Of Jesus, confiro a importancia que cada qual teve individualmente, e, tenho_os presente na memoria pois foram amigos/buddies, e se nos casos em que estes por via de opções pessoais optaram que não poderiam conciliar suas vidas familiares com as actividades do grupo, receberam de mim e dos The Melancholic Youth Of Jesus o total apoio.

Se algum destes se arrependeu da sua escolha, novamente, não poderei ser imputado de quaisquer defecie de caracter, e, não acredito que estes necesitem de advogados, pois, sempre me mostrei disponivel e aberto ao dialogo.

Para terminar, não foi decidido por mim o fim dos Poker Alho, não tinha envolvimento na banda, e, se a estrondosa evidencia do que refiro anteriormente não é sufeciente, porque acabram os Poker? Se os os envolvidos vieram a prestar um bom serviço aos The Melancholic Youth Of Jesus, pergunto, o que determinou o fim dos Poker, e, porque é que os The Melancholic Youth Of Jesus ainda existem?

Anónimo disse...

Boas,
Antes demais li isto de cima abaixo, e tenho as minhas visões e perspectivas mesmo acentes, lá porque tens toda a discografia registada em teu nome não significa que tenhas sido o autor de cada segundo de música e todo o riff. Aliás todos os contribuintes perderam tempo em ensaios e em concertos para manter aquilo a que chamas de banda de pé, que na verdade nem é banda se te afirmas como "o autor do grosso reportório", apresentavas-te como Carlos Santos & The GodFathers of Nothing", e simplesmente isso não justifica a tua afirmação perante os outros membros que te ajudaram. Um pouco de humildade não te fazia mal falar como se fosses um Deus ou um ícone também te fica mal, isso so faz da tua arte uma cena pura mas sim uma slot machine, onde perdes ou ganhas dinheiro.
E sim lanças-te uns albums com a tua banda e tal mas fizeste tudo sozinho?... não me parece, aliás tu não és justo mesmo com quem contribui na banda afinal logo, é normal que te sintas com "o rabo trelhado" famosa expressão portuguesa que para ti "doesn't sounds cool" né???
Fica bem .

Miguel Costa disse...

Olá viva Carlos Santos,

Acho que trabalhei contigo na Yazaki há muitos anos atrás e nessa altura já tinhas a música dentro de ti.

Desejo-te as maiores felicidades!

Miguel Costa

Anónimo disse...

Miguel Costa - infelizmente nao conheco-te - e creio mesmo que ao fim de 2 dias fui despedido da Yazaki por isso abres uma nova janela da realidade imutavel - logo - obrigado pelas palavras mas nao creio que tenha a capacidade de assimilar tanto irrealismo.... Ao Anonimo - parece uma adolescente com o periodo - existem cursos para se ensinarem as pessoas a serem bregas? Grow up!