23 maio 2010

UM ZERO AMARELO



Um Zero Amarelo nasceram em 1992, em Braga, como um trio de amigos dispostos apenas a fazer um punhado de versões de temas que, de algum modo, os tinham marcado como ouvintes e como músicos. Era, assim, uma espécie de local de descontracção que lhes permitiria relaxar das «obrigações» que tinham com os grupos em que estavam envolvidos: o Carlos Fortes (guitarra) e o António Rafael (baixo) nos Mão Morta, o António Cunha (voz) na Rua do Gin. Começaram assim a dar concertos em bares, concertos esses que se multiplicaram e começaram a encorajá-los não só a continuar, como também a compor originais. Os espectáculos serviriam para a aquisição de melhor material, com todas as vantagens que isso lhes poderia trazer, e as composições começaram por ser um banco de ensaios de novos sons, longe daqueles a que os Mão Morta ou a Rua do Gin se dedicavam. Era o verdadeiro início de uma aventura de cujo passado poucos conhecem o rosto mas em que, cada vez mais, muitos acreditam no futuro. A começar por eles... Um Zero Amarelo, em pouco tempo, souberam conquistar um estatuto próprio. O que até não é estranho se pensarmos que a forte componente emotiva dos seus temas lhes permitem transmitir as suas visões de um modo muito próprio, o que, logo à partida, os distancia de qualquer convenção sonora. A sua presença em palco tem vindo, gradualmente, a ser mais apreciada um pouco por todo o lado, e são já incontáveis os espaços que preencheram com a densidade e expressividade da sua música, entretanto complementada com a entrada do Tiago Miranda para o baixo e do Marcos (ambos ex-Dionisus Jr., projecto oriundo de Guimarães e futuro Loosers) para a bateria, libertando o Rafael para uma segunda guitarra. Outra característica que os distingue e os torna únicos é a perfeita articulação métrica dos seus textos, que nos falam todas de uma estranha espécie de solidão. Se é reconhecidamente difícil escrever e cantar em português, Um Zero Amarelo abatem qualquer preconceito e percorrem a língua mãe com uma clarividência tal que é impossível não reconhecer a sua marcada veia poética, reforçada pelo jogo de sons melódicos, por vezes, e tortuosos que se entrelaçam numa simbiose perfeita de emoções contraditórias. Não são poucas, por esta altura, as vozes que exigem a gravação de um disco por parte de Um Zero Amarelo. As críticas têm sido muito positivas e não seria de espantar que a oportunidade surgisse mais cedo do que eles próprios esperam. Por enquanto gravaram já três maquetas, para se ambientarem ao trabalho em estúdio e para se poderem promover através dessa via. Gravaram também uma sessão ao vivo na Rádio Universitária do Minho, recebida com grande entusiasmo por todos os que com ela tomaram contacto, o que reforçou a sua reputação de grupo imprescindível para o futuro da música rock que se faz em Portugal. Esta convicção foi ainda mais sublinhada com as suas participações em "À Sombra de Deus" e em "100%", duas compilações onde foi possível encontrar temas seus entre os melhores quer de uma quer de outra gravação. Na sua carreira, para além de tudo o que foi já dito, contam ainda com a primeira parte dos concertos em Portugal dos Gene Loves Jezebel, bem como dos Inspiral Carpets, para além de um número já incontável de espectáculos, um pouco por todo o país. Por todas estas razões, e por muitas outras que cabe a cada um descobrir, é fatal que um dia Um Zero Amarelo seja a maior das vossas paixões. Não vos neguem a oportunidade de os deixar entrar no vosso mundo. [Pedro Portela, 1998]

DISCOGRAFIA


GAME BOYS [CDR, Edição de Autor, 1994]


UM ZERO AMARELO [CD, Nortesul, 2000]


CANÇÃO DE AMIGO [CD Single, Nortesul, 2000]


BORN FROM PORN [CD, Cobra, 2013]

CASSETES
Demo Tape 1991 (3 Temas, 12:42)
Estudios da RUM, Braga 2000 (51:53)

COMPILAÇÕES


À SOMBRA DE DEUS 02 [CD, BMG, 1994]


100% [CD, Música Alternativa, 1995]


TURBULÊNCIA [CD, Nortesul, 1999]


PRESS ON 02 [CD, Nortesul, 2000]

PRESS
O Barulho dos Néons, Miguel Cadete, Blitz nº 271 de 09-01-1990
A Intermédia Solidão, Pedro Portela, Blitz nº 405 de 04-08-1992
Noites Cem por Cento, António Pires, Blitz nº 545 de 11-04-1995
Perto do Cabaré, Rui Catalão, Pop Rock/Público nº 2264 de 22-05-1996
E Depois do Adeus, Jorge Manuel Lopes, Blitz nº 600 de 30-04-1996
Febre dos Fenos, Jorge Manuel Lopes, Blitz nº 608 de 25-06-1996
Canções Sem Filtro, João MacDonald, Blitz nº 813 de 30-05-2000

3 comentários:

erradiador disse...

falta a participação no Press On #2com a música "Carne Eléctrica".
Pena esta banda ter acabado, sem gravar mais nada e havia músicas inéditas que foram apresentadas nos últimos concertos no Deslize em Braga e na Casa das Artes do Porto, aqui com os Pop Dell'Arte a fazerem a primeira parte, porque os UZA mereciam, segundo J. Peste.

Bourbonese disse...

Perfeito. Já adicionado. Que saudades tenho dos UZA...

Blogger disse...

"Como um cavalo louco" (dos melhores temas da música portuguesa de sempre)

http://www.youtube.com/watch?v=RCO-geFAF9c

"Canção de amigo" (soa a Balla antes do tempo)

http://www.youtube.com/watch?v=igezNpORBZQ

"Tushti"

http://www.youtube.com/watch?v=r6JqCGeQBYg

Cumprimentos de Albergaria-a-Velha