20 julho 2010

OVELHA NEGRA



Paulo Pedro Gonçalves (ex-Faíscas, ex-Corpo Diplomático, ex-Heróis do Mar, ex-LX-90) emigrou, durante a década de 90, para Londres onde, para além de ter feito parte activa dos Kick Out of The Jams, abriu, em parceria com a sua esposa, Andreia, um atelier e loja chamado Pavement que alcançou um interessante grau de reconhecimento, vestindo personalidades ou bandas do meio musical como David Bowie ou Blur e tendo participado na criação de roupa para o filme "Velvet Goldmine". Após essa aventura, o músico retorna a Lisboa onde, em parceria com João Ferreira Gomes, cria os Ovelha Negra. Há um excelente texto em "A Trompa" que descreve de forma muito objectiva o que este projecto representou: "Ignorado do grande público, como infelizmente se imagina, o projecto Ovelha Negra foi uma interessante pedrada no charco da lusofonia do final de século. Projecto de algum "fado eléctrico" (como lhe chamaram na altura), de um "rock afadistado" ou de uma "electrónica castiça", o projecto pop e experimental Ovelha Negra (é disso que se trata) é uma criação pessoal de Paulo Pedro Gonçalves, posteriormente colorida pelo interessante trabalho de programação de João Ferreira Gomes (ex-Kick Out The Jams). Obviamente, não é um disco de fado (ainda que alguns temas naveguem bem dentro das suas margens), é acima de tudo um disco que explora os sons, os instrumentos, a história da música reescrevendo-a, é um disco experimental e também por isso, nem sempre com grande coerência interna. Pouco importa, é isso que por outro lado lhe confere a beleza – arte em viagem, cruzando múltiplas estéticas. "Por Este Andar Ainda Acabo a Morrer em Lisboa" é um disco que dá hoje mais prazer do que deu há alguns anos atrás. Não tenho dúvidas. Passe o trabalho das guitarras e da electrónica e resta referir o trabalho de voz e aqui, deve admitir-se que as interpretações de Miguel Gameiro (Pólo Norte) e de Rita Guerra são das mais curiosas e estimulantes do disco. O enquadramento do timbre no conceito é único e de um ajustamento quase perfeito. Um disco a revisitar, sem dúvida…"

DISCOGRAFIA


POR ESTE ANDAR AINDA ACABO A MORRER EM LISBOA [CD, BMG, 1998]

RÁDIO INTERNACIONAL SAUDADE [CD Single, BMG, 1998]


EU FUI ANDAR PELA NOITE [CD Single, BMG Ariola, 1998]


ILUMINA [CD, Eter Music, 2012]

COMPILAÇÕES


PROMÚSICA 17 [CD, Promúsica, 1998]


COSMOPOLITAN [CD Single, BMG, 1998]

PRESS
Entre Lisboa e Londres, Miguel Francisco Cadete, Blitz nº 707 de 19-05-1998
Destaque, Promúsica 17 de 05-1998
Saudade Rima com Liberdade, Miguel Cadete, Blitz nº 726 de 29-09-1998
Fado, Loops e Guitarradas, Patrícia Lemos, Promúsica 20, 09-1998 [CAPA]
Chega de Saudade, Lia Pereira, Revista Blitz 79 de 01-2013

4 comentários:

rc disse...

(rc vem de colaborador pois cr poderia parecer outra coisa.O meu humilde contributo apenas poderá passar por pequenas coisas de que me lembre)

Eu gosto deste disco dos Ovelha Negra mas não o tenho. Não se percebe que tendo o disco vendido apenas umas centenas de discos (segundo me lembro de ler no DN) e não apareça à venda em campanhas de promoção. Quanto aos singles de promoção não se percebe como se desbaratava trabalhos gráficos e mesmo remisturas em discos com uma audiência minima. Lembro-me que o jornal Público chegou a considerar o Rádio Internacional Saudade como um dos singles desse ano. Ainda bem que há alguém que os guarda e coloca informação sobre os mesmos. Nem todos mereceriam essa honra mas há alguns com um bom trabalho gráfico por vezes alternativo ao disco oficial.

Blogger disse...

O "Eu menti à saudade" (com a Rita Guerra) é uma das minhas canções portuguesas favoritas

Paulo Martins disse...

Não confundir com o projecto industrial homónimo que lançou o cd "Cirrus Machina" em 2004 pela Thething Records!

Anónimo disse...

É uma pena o dito album dos Ovelha Negra não ter sido devidamente promovido pela editora, a canção/single "Eu Menti À Saudade", com a participação vocal da Rita Guerra, é absolutamente obrigatória, já pra não falar da remistura (remix) promocional que fizeram do tema, e que chegou a passar na Antena 3 na altura...Enfim, um desperdício de talento e coisas bem feitas que em Portugal eram quase propositadamente ignoradas...o que interessava era manter as bandas/projetos a fluir e alguns críticos, da imprensa escrita, sobretudo, satisfeitos...para os executivos das editoras virem depois dizer que também apostavam em talento nacional...por amor da santa!...