13 julho 2010

PLOPOPLOT POT



Para Nuno Rebelo tudo começou verda­deiramente em 1984 com o vitória dos Mler Ife Dada no 1º Concurso de Música Moderna Portuguesa do RRV. A partir daqui foi a subida da banda até ao topo das escadas do culto. Só que tudo tem um fim, e os Mler Ife Dada decidem, em 1990, arrumar as bagagens para darem lugar a outros projectos que se formavam já na mente dos seus elementos, principalmente na de Nuno Rebelo. Em 1991, sete anos após o vitória no RRV, Nuno Rebelo reaparece com nova banda, em novo concurso, que como não poderia deixar de ser, venceu. O grupo chama-se Plopoplot Pot, e o concurso que ganharam foi organizado pelo Câmara Municipal de Lisboa. Desde o início que a banda tem chamado o si muitas das atenções da crítica musical, não só pelo seu curioso nome, mas também pelo lote de respeitados músicos que no princípio deram corpo o este projecto. Vitor Rua, Sei Miguel, Rodrigo Amado e Bruno Pedroso, ao lado de Nuno Rebelo, faziam-nos crescer água na boca em relação ao som produzido pela banda. Só que, com o aparecimento do concurso, Vitor Rua e Sei Miguel abandonam o barco, por serem, de certa forma, contra estes eventos, tendo sido substituidos pron­tamente por Luís Areias e Paulo Curado. Para muitos, Plopoplot Pot é um nome difícil de pronunciar, mas que encerra em si um significado que é importante explicar. Plop significa o queda (na água), Pop refere-se ao género musical, Plot à estratégia, enquanto Pot simboliza um recipiente. Resumindo, os Plopoplot Pot não são mais do que o recipiente da estratégia do plop da pop. Esclarecidos?!... Musicalmente, poderemos definir a banda como um conjunto de músicos que tocam Free­-Jazz com uma estrutura melódica de rock. Parte­-se de um pressuposto, uma espécie de refrão, à volta do qual os músicos improvisam o melhor que sabem e podem. Já por mais de uma vez que esta banda foi comparada aos Naked City de John Zorn. Mais que uma comparação, o importante aqui, é a melodia envolvente destes Plopoplot Pot. Uma música que tanto é jazz como é rock, como é tudo isto ao mesmo tempo, que tem o objectivo máximo de entrega total. É uma arma sem necessidade de palavras. É o tempo real. "Tempo Real" é também o nome do CD editado há algum tempo pela El Tatu, uma espécie de revista musical, que conta com o participação da banda de Nuno Rebelo, entre outras. Para Nuno Rebelo nada disto é novo, pois já no último álbum dos Mler Ife Dada intitulado "Espírito Invisível", algumas músicas deixavam transparecer os caminhos futuros que o músico haveria de seguir. Já desde os tempos dos Street Kids que ele se tem mostrado um músico rebelde e original. Nuno Rebelo actua como um comando à distância, invadindo o mente dos menos atentos. Tal como o músico dos Plopoplot Pot, que faz parar os ponteiros do nosso relógio. Plopoplot Pot é, como eles afirmam, uma bola de golf. É um joker no meio do baralho. É um recipiente de conteúdos. É o influência de outrem. É um cocktail molotov. É um perfil geológico das camadas musicais. É, no fundo, algo que vale a pena descobrir nem que seja por uns minutos. Que a força esteja também convosco! [Nuno Ávila]

CASSETES
Festa do Avante, Amora 06-09-1991 1991 3 07:55

COMPILAÇÕES


EM TEMPO REAL [CD, El Tatu, 1991]

PRESS
Baralhar e dar de Novo, António Pires, Blitz nº349 de 09-07-1991
A Morte do Pop Rock, Nuno Ávila, Ritual nº4 de 12-1991

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