13 dezembro 2010

BATEAU LAVOIR / SUB VERSO



Miguel Pedro Guimarães começou por ser vocalista nos WC. O grupo, formado em 1981, conseguiu chegar à final do Festival "Só Rock" que se realizou em Coimbra. Ainda em 1981 passou para a bateria e fundou os AuAuFeioMau, conjuntamente com Adolfo Luxúria Canibal. A passagem de ano de 1981 para 1982, realizada na Fábrica em Braga, juntou WC, AuAuFeioMau, Firmino e Soren. Em 1982 gravam o single "Domingos de Manhã" para a editora Rotação. O disco é editado sob a designação de Sub-Verso, nome escolhido por António Sérgio. Em 1983, Miguel Pedro (bateria), o seu irmão, José Luís Guimarães (voz, baixo) e Bula (guitarra) mudam de nome para Bateau Lavoir - nome do estúdio de Picasso que viu nascer o movimento cubista. Os Bateau Lavoir concorrem ao 1º Concurso do Rock Rendez Vous, em 1984, mas não são apurados. Os AuAuFeioMau acabaram nesse ano e no final de 1984 surgem os Mão Morta. Os Bateau Lavoir participaram também no 3º Concurso do Rock Rendez Vous (1986), num certame que revelou igualmente os RongWrong e Mão Morta. Fazem a primeira parte do concerto dos britânicos Echo & Bunnymen no Pavilhão Infante de Sagres no Porto. Em 1987, Miguel Pedro juntou-se a Manuel Leite e formou os Humpty Dumpty. Os Bateau Lavoir participaram na primeira compilação "À Sombra de Deus", editada em 1989, com o tema "Até Um Dia". O grupo terminou dois anos depois. Nessa última fase, o projecto contava com José Luís Guimarães (voz, baixo), Miguel Pedro Guimarães (bateria, voz), João P. Fiúza (filiscorne, trompete), Zé Eduardo (teclas, voz) e Bula (guitarra). A banda que havia surgido com uma sonoridade nitidamente urbano-depressiva estava agora numa fase pop.

DISCOGRAFIA


DOMINGOS DE MANHÃ [7"Single, Rotação, 1982]

COMPILAÇÕES


À SOMBRA DE DEUS 01 [LP, Câmara Municipal de Braga, 1988]

CASSETES
Demo Tape 1983 (10 Temas, 35:34)
Demo Tape 1984 (5 Temas, 21:35)
Porto 1984 (4 Temas, 17:21)
Demo Tape 1986 (9 Temas, 37:10)
Demo Tape 1987 (3 Temas, 13:03)
Pavilhao Flávio Sá Leite, Braga 1987 (6 Temas, 17:24)
Demo Tape 1988 (4 Temas, 15:36)

PRESS
Bateau Lavoir, Mário Luís Antunes, LP nº12 de 19-01-1989

SUBTERFÚGIO



Nascidos em Lisboa a partir das cinzas dos Melleril de Nembutal, os Subterfúgio foram uma das vertentes desse desaparecimento, tendo a outra facção dado origem aos RU 486. Por sua vez, Miguel Santos isolou-se criando os Hesskhé Yadalanah. Os Subterfúgio dão os seus primeiros sinais de actividade em 1991. A formação não era exactamente a mesma da dos anteriores projectos e a sonoridade estava mais domesticada mas detectam-se traços nítidos das remniscências passadas. De qualquer forma, o grupo denotava a mesma originalidade, aproximando-se ambiguamente do que os K4 Quadrado Azul haviam feito: uma mescla de pop-rock com experimentalismos quase non-sense. Constituídos por José Jacinto (voz, guitarra, clarinete), Delfim (voz, guitarra, bateria), VPS (voz), AJTP (voz, bateria, xilofone), J. Pinheiro (guitarra, teclas) e Simão, os Subterfúgio até neste caos de tarefas multifacetadas se aproximavam das origens. Em 1992 registam uma maquete que distribuem pelas rádios e editoras, como se fazia na época. Regista-se ainda uma edição da mesma pela K7 Pirata. Para quem era inesperadamente confrontado com este tipo de trabalho não era de estranhar uma sensação de algum desconforto provocado por um tipo de música que não eram nem rock, nem jazz, nem tão pouco música experimental tal como era então entendida. Era uma mistura de todos esses estilos revestida de uma originalidade irreverente própria dos seus elementos. Rafael Toral, ex-Pop dell'Arte colabora com a banda na faixa "Shape of Raindroops". Mas as colaborações não se ficam por aí, detectando-se também a participação de Alberto, antigo baixista dos Linha Geral no tema "Missing a Kick". Em simultâneo salientam-se referências a Helberto Hélder, uma versão do tema "Never Talking To You Again" dos Husker Du e a recuperação da faixa "Gargula", dos RU486 que havia sido anteriormente divulgada na compilação "Insónia" da Facadas na Noite. Chegou a projectar-se a edição de um CD que se supunha seria editado pelo selo Johnny Blue, de Miguel Santos (outro ex-Melleril de Nembutal) mas que por motivos desconhecidos nunca se chegou a concretizar.

DISCOGRAFIA


SUBTERFUGIU [Tape, K7 Pirata, 1992]

COMPILAÇÕES


SONS DO DIABO [Tape, K7 Pirata, 1991]


PRIMEIRA AMOSTRA [CD, Estúdio GAR, 1994]

PRESS
Subterfúgio, DD, Ritual nº7 de 04-1993
Onde está o Farinha?, António Pires, Blitz nº450 de 15-06-1993

12 dezembro 2010

KARNNOS



Em 1998, Johan Aernus trabalhava com alguns dos membros da editora Forgotten Blood num projecto chamado KAR quando se verifica uma ruptura no colectivo, situação essa que irá promover o seu abandono do seio do selo sediado em Penafiel. No seguimento deste evento, Johan criará a sua própria editora a que chamará Reaping Horde. Kar significava "guerra" em celtibérico e, para o músico, o conceito fazia realmente sentido. Já num novo ambiente, Johan recupera o mesmo, justapondo-lhe a designação de Nnos (oriunda da palavra Cernunnos), resultando daí o nome de um novo grupo: Karnnos. Inicialmente constituídos por Johan Aernus (voz, electrónica, acordeão, instrumentos tradicionais, membro dos Wolfskin e fundador da Reaping Horde) e André Guerra (guitarra, também elemento dos Ereshkigal e também fundador da Reaping Horde, na altura envolvido no seu projecto Vento Aziago), ps karnnos tiveram ainda a colaboração assídua de Nuno Cruz (violino, viola, electrónica, aka Nerunbrir, também mentor dos Inverno e Urdraum e futuro membro dos Traume), Belmil (flauta) e João Filipe (percussão, baixo, Sektor 304, Wolfskin). Karnnos significava, em lato senso, "Senhores da Guerra" no idioma celibérico e, musicalmente, sempre pretendeu dar azo a uma música com origem nas tradições e costumes profundos das gentes do Noroeste da Península Ibérica. Uma música que brotasse das raízes da natureza e do saber dos instrumentos tradicionais, uma aproximação grosseira áquilo que se chamou neofolk por essa Europa fora, mas arreigada em costumes portugueses e galegos. Criados numa noite de Verão quente, os karnnos tinham como obsessão criar um tipo de música experimental simples e emotiva. O trabalho do projecto assume-se de cariz espiritual e místico sobre as raízes célticas da cultura portuguesa ancestral. Omnipresente está também o sentido heróico e marcial da Europa antiga sob a forma de uma sonoridade semi dark folk complementada por dark soundscapes em conluio com gutarras acústicas, spoken word e alguns sintetizadores. A estreia discográfica da banda dá-se em 1999, no seio da própria editora e através de um magnífico trabalho, "A Burial In Flames". É incrível como um dos mais magistrais trabalhos da música portuguesa continua ainda desconhecido, confinado a uma edição em cassete com tiragem minimalista de 93 exemplares. Trata-se de uma verdadeira obra prima da nossa música tradicional, aqui incrivelmente integrada em permissas vindas de alguma da mais inventiva música marcial. Como habitualmente, outros viram neste projecto as potencialidades que os portugueses não detectaram e, já em 2000, a editora francesa Cynfeirdd editará o CD "Deatharch Crann" a que se seguirão, no ano imediatamente seguinte, o single "Bearer of Order" (lançado pela alemã Hau Ruck de Albin Julius dos Der Blutharschem) e dois anos depois, o longa duração "Dun Scaith" (novamente pela Cynfeirdd). Seguindo um trilho muito distinto do dos Wolfskin, Karnnos caminharam no sentido da melodia na composição. Menos atmosférica, a música do grupo, não deixa, contudo, de apresentar pontos de contacto longínquos. De uma forma tosca, poder-se-á dizer que onde Wolfskin é dark ambient, Karnnos é neofolk, mas ambos os projectos provêm do amor da natureza e dos sentido que ela garante à nossa identidade. Johan continua a trilhar a sua busca rumo ao correcto entendimento do misticismo ateu celtibérico numa jornada espiritual que pode bem ser integrada num movimento mais lato ocorrido na Europa durante as décadas de 90 e 2000. Em 2005 dá-se a edição do derradeiro trabalho discográfico do grupo, de seu título "Undercurrents And Lost Horizons", novamente comercializado pela Cynfeirdd. Em 2007, Johan anuncia formalmente o fim das actividades dos Wolfskin e a passagem dos Karnnos para um limbo existencial não tão definitivo mas que a ausência de novos trabalhos desde 2005 não augura grande futuro.

DISCOGRAFIA


A BURIAL IN FLAMES [CDR, Reaping Horde, 1999]


DEATHARCH CRANN [CD, Cynfeirdd, 2001]


BEARER OF ORDER [7"EP, Hau Ruck, 2002]


DAN SCAITH [CD, Cynfeirdd, 2002]


UNDERCURRENTS AND LOST HORIZONS [CD, Cynfeirdd, 2005]

COMPILAÇÕES


THE NEMETH [CDR, Reaping Horde, 1999]

SONGS FOR LANDERIC [2xCD, Cynfeirdd, 2002]


A FINAL TESTIMONY [2xCD, Seküencias De Culto, 2004]

SONGS FOR ALIÉNOR [2xCD, Cynfeirdd, 2005]


EUROPA AETERNA [LP, Autre Que, 2006]

WOLFSKIN



Wolfskin foi um projecto de um homem só, Johan Aernus, criado em 1994, com vista à expressão das perspectivas e inquietações do autor, no seio de um movimento mais lato, integrado no contexto que a editora Reaping Horde permitia. O nome do projecto remetia para a mitologia guerreira dos homens que defendiam as suas terras envoltos em peles de lobos e de ursos procurando encarnar os seus mais ferozes instintos animais e de bravura. Como refere o autor no seu sítio público, "Wolfskin vem do nevoeiro, do vento cortante do cimo das montanhas, do silêncio misterioso, do sonho mitológico. Paisagens ancestrais evocadas em estruturas sonoras hipnóticas, abstractas e orgânicas. Wolfskin é uma sensação, um sonho, uma caverna húmida e silenciosa. Entidade simbólica criada em 1994 como forma de exploração pessoal, anímica, xãmanica por mim, único membro fixo, tem incluído, ao longo dos anos, diversas pessoas que contribuíram duma forma inestimável para a sua definição sonora". Trata-se, portanto, de uma música que tem como base a natureza selvagem, nomeadamente a do guerreiro do norte, orgulhoso das suas raizes e tradições. Johan Aernus esteve sempre envolvido noutros projectos, desde os Karnnos aos Urdraum ou Warriors Of Nature, mas a sua influência e experiência é mais vasta, podendo ser encontrada em quase todos os grupos que, de uma forma ou de outra, estiverm ligados às editoras Forgotten Blood ou Reaping Horde, esta última criada pelo próprio a partir de Chaves, localidade de onde é oriundo. A música dos Wolfskin, contrariamente à de outras bandas suas contemporâneas, parte da natureza e da tradição, assumindo-se como um meio, não um fim. É delas que parte, mas numa perspectiva "em bruto": nasce do hostil meio das suas raízes, explora as suas sonoridades em formato quase minimal, trilhando caminhos orgânicos embuidos numa quase anti-música. Está lá tudo. São sonoridades que advêm de um quase desejo vindo dos ancestrais, clamando por uma revisitação de locais sagrados e hoje perdidos a que há urgência de se retornar. Não nos admiremos, pois, que os sons sejam feitos a partir de landscapes inspiradas numa espécie de bruma que devemos enfrentar, lenta e atentamente. É uma música feita a partir de estruturas de sons, loops, samplers, voz minimal, percussão e instrumentos tradicionais como o acordeão, a gaita de foles ou as flautas. Contrariamente aos Karnnos, cuja música, basce de uma raiz quase folk, os Wolfskin nascem do húmus, da terra molhada pela chuva do dia anterior. Wolfskin nunca foi um projecto fechado a colaborações, apesar de na sua génese ter apenas Johan Aernus. Nele surgiram integrados músicos como Nerunbrir (Inverno, Twilight Commando, Karnnos), Belmil (Lume, Karnnos), João Filipe (Sektor 304, Karnnos, TWMAAWT), A.P. (Objekt4, spatialXpansion) ou XIII (Nothus Filius Mortis, Skorpiorising), Bronte (Latebra) e M.J. (Plateau Omega). As aproximações ao trabalho de grupos ou músicos como Lustmord, Sleep Chamber, Herbst 9, Robert Rich, Steve Roach, Jorge Reyes ou Peter Greenaway não serão de estranhar pois quase todos eles partiram de permissas análogas que se foram traduzindo, ao longo dos tempos e dos seus trabalhos, numa espécie de consciência arcaica feita a partir de colagens de imagens, comportamentos e tradições a que se designou chamar dark ambient/ritual/industrial. Os Wolfskin surgem inicialmente no seio do catalogo da Forgotten Blood, sendo a sua estreia a terceira edição deste. Contando com a colaboração de B. Ardo, "The Hidden Fortress", foi realizado e editado em 1995 na forma de cassete de embalagem manufacturada limitada a 77 exemplares. Mais tarde, Aernus autonomizar-se-á, criando a editora Reaping Host/Reaping Horde, a partir da qual assentará fortaleza. Ficou ainda registada, na editora de Penafiel, um trabalho dos Warriors of Nature e as participações na compilação "Solis Rota". De referir que os Warriors of Nature foram um colectivo constituído por B. Ardo e Johan Madju/Aernus. O disco intitulado "The Roots of Blood", foi integrado no subselo Forgotten Lair, mais edicado às sonoridades de inspiração guerreira, onde serão também editados, em 1998, "Serpent Wars of Callaecia" da mesma banda e a estreia dos Zwickau cujo título foi "Death's Triumphant Dignity". De referir ainda que foi da cisão ocorrida no seio dos Warriors of Nature que surgirão os Sangre Cavallum onde, numa primeira fase, surgiam os nomes de B. Ardo, Ku Ku, Coutinho e Paulo Martins. Em 1998, já com selo da Reaping Horde, é editada a cassete "Campos De Matança", numa reduzida edição limitada de 67 exemplares em cassete e 50 cópias no formato CDR. O trilho das edições extremamente limitadas manter-se-á em 2000 com a publicação de "The Gather Of Shadows By The Setting Sun", um CDR de apenas 188 cópias lançado pela norte-americana The Ajna Offensive e que mais tarde será reeditado pela Malignant Records, numa versão trabalhada pelos Objekt 4. Em 2002, nova curta edição, agora pela francesa Cynfeirdd: "Tornar O Sangue Sagrado" viu o mundo numa versão de apenas 406 cópias em formato CD mas teve o mérito de abrir as portas a um universo de melómanos muito mais amplo, que exponenciou o trabalho dos Wolfsin e o levou até outros mercados. Um deles - inesperado, por certo -, foi o brasileiro, onde a editora local Essence Music, se mostrou extremamente interessada nos caminhos trilhados pelo grupo, mostrando-se interessada em edita-lo. Nasceu assim a reedição do clássico "Campos de Matança", numa edição enriquecida de 599 cópias em CD e uma luxuosa caixa em versão limitada a 69 exemplares. Para esta edição, os Wolfskin voltaram a remisturar a gravação original, melhorando-a e expandindo-a. A edição, numa embalagem limitada e de luxo, reencontrava muitas das características da primeira edição, sendo envolvida numa caixa onde, para além dos discos, se manifestavam elementos orgãnicos. A edição normal era bem mais reservada. Em 2007, Johan Aernus anuncia oficialmente o fim dos Wolfskin, dos Karnnos e da sua colaboração com a editora Reaping Horde, que criara e que agora deixava entregue a Euscortius (aka Nerunbrir, membro dos Inverno e Karnnos), bem como a sua completa saída da cena musical. Anunciava também a edição de 4 novos trabalhos dos Wolfskin até à sua completa extinção e era parco na explicação para o que sucederia aos Karnnos: estes continuariam a existir apenas num nível quase subliminar. É neste contexto que se compreende a edição, em 2008, de "O Ajuntar Das Sombras" (Malignant Records) e de "The Hidden Fortress: A Revisitation" (Neuropa Records) e, em 2010, de "Stonegates of Silence" (Malignant Records). O primeiro disco referido foi inicialmente pensado como uma reedição do extremamente limitado e esgotado "The Gather of Shadows by the Setting Sun" mas acabou por ser editado como uma remistura de 3 dos temas nele constantes a que se adicionaram 7 outros originais. Em 2010, após o anúncio do fim dos Wolfskin, nova edição é efectuada, através da norte-americana Malignant Records. "Stonegates of Silence" que é um disco minimalista e com estatuto dark ambient. Com a ajuda de Anders Peterson, mentor dos Last Industrial Estate, o nevoeiro é novamente trilhado, dando a ideia de que o legado final do grupo se manteve eternamente intacto. Em certa medida, esse legado permanece pois, contrariamente ao que se passa vulgarmente neste tipo de música, Wolfskin soube afastar-se dos clichés, criando uma obra opressiva e evocativa, baseada em colagens hipnóticas de sons com alma. O capítulo é definitivamente encerrado num concerto dado no dia 16 de Fevereiro de 2009 na companhia dos portuenses Sektor 304. A título de curiosidade há ainda a referir duas edições extra-discografia oficial: o CD partilhado pela banda com os Der Feuerkreiner, editado em 2004 pela Terra Fria de Rui Carvalheira e o luxuoso bootleg "The Gather Of Shadows By The Setting Sun" lançado numa tiragem de apenas 99 exemplares numerados pela russa Corzar Records em 2002.

DISCOGRAFIA


THE HIDDEN FORTRESS [Tape, Forgotten Blood, 1995]


CAMPOS DE MATANÇA [CDR, Reaping Horde, 1998]


THE GATHER OF SHADOWS BY THE SETTING SUN [CDR, Ajna Offensive, 2001]


THE GATHER OF SHADOWS BY THE SETTING SUN [CD, Corzar Records, 2002]


TORNAR O SANGUE SAGRADO [CD, Cynfeirdd, 2002]


CAMPOS DE MATANÇA [CD, Essence Music, 2003]


CAMPOS DE MATANÇA [CD,CDR,Box, Essence Music, 2003]


UNTITLED [c/Der Feuerkreiner] [CD, Terra Fria, 2004]


O AJUNTAR DAS SOMBRAS [CD, Malignant Records, 2008]


THE HIDDEN FORTRESS: A REVISITATION [CD, Neuropa Records, 2008]


STONEGATES OF SILENCE [CD, Malignant Records, 2010]

COMPILAÇÕES


SOLIS ROTA [Tape, Forgotten Blood, 1996]


THE NEMETH [CDR, Reaping Horde, 1999]


INFERNAL PROTEUS [4xCD, The Ajna Offensive, 2002]


A FINAL TESTIMONY [2xCD, Seküencias De Culto, 2004]

FROZEN LIGHT [CDR, Essentia Mundi, 2006]


FALÉSIA 02 [2xCDR, Enough Records, 2008]