13 fevereiro 2011

PERVE



Após um período embrionário - iniciado em 1987 - em que se chamaram Pervertidos da Fé e apenas editaram uma maquete em formato cassete e participaram com um tema na compilação "Insurrectos", os Perve iniciaram a sua actividade artística e musical em Lisboa em 1992, recolhendo sons e preparando acontecimentos que só se tornaram verdadeiramente uma realidade em 1995, aquando da sua estreia em disco, com o CD "Segmentos", editado pela Movieplay. Perve significava, segundo os mentores do projecto, entre outras coisas, uma atitude, uma forma de estar na vida que se prendia com a libertação de energias através da música, sendo esta o suporte de linguagens multimedia. O Homem assumia, neste ideal, o epicentro das coisas. Tratava-se da vontade de o reafirmar como agente liberto e libertador. O grupo teve em Carlos Cabral (aka Homem, voz, letras), Nuno Tavares (guitarra), Manuel Paulista (baixo), Carlos Santos (teclas), Torré (saxofone) e Pedro Marques (bateria), os seus elementos chave. Contudo, tratou-se de um projecto que, durante a sua relativamente curta existência, sempre se mostrou muito aberto a colaborações, não apenas em estúdio mas também ao vivo. Entre eles pôde contar-se Luis Pedro Faro (e o seu Coro de S. João), Nuno Rebelo (com e sem a sua Poliploc Orquestra), Sandra Baptista (Sitiados), Vítor Rua, Sofia de Portugal, Maria Rueff, Beatriz Serrão, Ana Brandão, José Henrique, Luis Espírito Santo, Sérgio Morais, Nuno Patricio, Fredy Stone, Ramiro Martins, Conceição Baleizão, José Cerqueira ou Artur Bual. Por detrás do grupo - como seu verdadero mentor - esteve Carlos Cabral Nunes, responsável pelas editoras Área Total, Fábrica de Sons e Skyfall. Ainda hoje mantém os Perve vivos, agora sob a forma de associação.

DISCOGRAFIA


SEGMENTOS [CD, Movieplay, 1995]


PROMOCIONAL [CD Single, Movieplay, 1995]

PRESS
O Homem no Labirinto, António Pires, Blitz nº 557 de 04-07-1995

10 comentários:

Eduardo F. disse...

De Lisboa, talvez...?

Bourbonese disse...

Olá Eduardo,
Muito provavelmente apesar de Carlos Cabral ser da Guarda. Nessa altura ele já era, salvo erro, da Movieplay - também foi na Sony -, e estava já sedeado em Lisboa.

Eduardo F. disse...

:)

Se existem como associação deve ser possível chegar à fala com eles para sabermos mais. :)

Será esta: http://www.perve.org.pt/
?

coin disse...

Não sei se foi da Sony mas esteve, se não me engano, por detrás das etiquetas da Movieplay Skyfall, Fábrico de Sons, etc

O grupo não tem a ver com os anteriores Perve[rtidos da Fé]?

Bourbonese disse...

Coin: Ora aí está uma coisa de que não me lembrava e faz todo o sentido. Os Perve deverão descender mesmo dos Pervertidos da Fé. E digo isto porque são da mesma localidade (tenho até uma demo destes!) e a demo que aqui refiro foi-me dada pessoalmente por Carlos Cabral que os andava a promover na altura. Em relação às editora, a Fábrica de Sons e a Skyfall eram subselos da Movieplay que, penso, foram criados por ele com vista a áreas distintas de música. A Skyfall dedicada ao metal e a Fábrica de Sons mais aos sons independentes. Andou também pela Sony, isso confirmo. Obrigado pela colaboração.

Eduardo F. disse...

Ah, mas existe alguma entrada (ou menção aos) para os Pervertidos da Fé aqui no Underreview?

:)

Eduardo F. disse...

Acho que temos de saber sobre os Pervertidos. Desconhecia.

Pelo menos existe uma demo, não é?

:)

alba-cromos disse...

aparecem na compilação "Insurrectos" de 1990.

Carlos Cabral Nunes disse...

Engraçadas as coisas que se vão escrevendo... não sou da Guarda, vivi lá 9 anos (número significativo para se ter mais do que uma costela). Fui convidado para criar uma etiqueta para a Movieplay e acabei por criar 2 porque não queria misturar sonoridades e projectos distintos. Isso aconteceu depois da Movieplay nos comprar o disco dos Perve. Ao que parece ser a verdade, terão ficado impressionados com o projecto dos Perve que lhes foi apresentado e também pelo percurso que eu já tinha e convidaram-me, deixando-me escolher a equipa da Fábrica de Sons e impondo-me, como contrapartida, a criação de uma etiqueta dedicada a sonoridades mais pesadas (uma vez que eu não queria tudo misturado). Os Perve estão, sim, no seguimento dos Pervertidos da Fé, que tinham um manifesto clarificador , de 1987, onde se explicava que a perversão proposta era a da fé social, da carreira académica à banca e ao sistema. Continua actual mas a mudança deveu-se a ter deixado a Guarda e encontrado outros músicos, acresecndo o facto de que o nome anterior era mais facilmente polemista e não era essa a ideia central. Perve queria e quer dizer uma actitude mas não exectamente a que vem transcrita, provavelmente, de uma qualquer entrevista que demos na altura, que são geralmente pouco fidedignas. Tem mais a ver com um positivar, uma tranformação positiva da realidade, uma subversão construtiva. Isso continua actual no que vamos fazendo no Colectivo Multimédia Perve, nas Galerias Perve e na Perve Global Lda. Não sei se reconheceria o Bourbonese mas parece que o devo ter conhecido no passado. Da cassete que terá não me lembro mas tenho várias que foram gravadas com os Pervertidos e videos também, incluindo um video-clip não editado que foi filmado sob o frio intenso da serra da estrela mas isso são já outras conversas. Última coisa: a colectânea Insurrectos é uma das coisas que mais orgulho me dá ter feito, não só pelas condições como foi feita, nem apenas pelos grupos e solistas que nela se reuniram (eu participava com um tema a solo, para além do que fiz com os Pervertidos), mas porque retrata o fim de um ciclo e anúncia um novo "mementum" artístico, cultural e social nacional. Cumprimentos, Carlos Cabral Nunes

Eduardo F. disse...

Ah, grande depoimento, amigo Carlos!

Muito obrigado por este pedaço de história (passado) e postura (presente com futuro).

Eduardo,
Braga