06 fevereiro 2011

U-NU



Os U Nu nasceram no final da década de 80, no Porto, constituindo-se como um dos mais estranhos projectos aparecidos na altura. Como escreveu, à data, o saudoso Fernando Magalhães, "a primeira conclusão que se extrai da audição de “A Nova Portugalidade” é de que estamos perante um grupo que recusa toda e qualquer norma ditada pelas leis de mercado". O grupo era consituido por Fernando Noronha (baixo), José João Cochofel (percussão, integrou também os Sequoia), Luis Serdoura (piano), Manuela Costa (piano, na ausência de Luis Serdoura), Ricardo Pereira (sintetizador), Viriato Moraes (sopros) e Vitorino Almeida Ventura (voz, textos). Faziam a música de que gostavam e nesse caminho deixaram semeadas múltiplas pistas para posterior desenvolvimento. As ideias explodiam em múltiplas direcções, podendo detectar-se, na música dos U-Nu, inúmeras pistas a trilhar. O grupo não se resumia à música, assumindo antes um carácter quase multimedia ou de arte total. Do título aos textos e à utilização de "instrumentos paródicos", como cornetas e peixinhos de plástico, passando pela própria construção dos temas, sentia-se que a ironia e a sátira ocupavam um lugar importante na estética do mesmo. No meio de ferroadas várias, que inclusive atingem a crítica musical, a chave talvez pudesse ser encontrada numa das várias leituras possíveis da designação "U-Nu" aplicada à "nova portugalidade". Percebia-se que todos os seus elementos haviam ouvido e assimilado muita boa música, quase toda ela afastada dos parâmetros comerciais: No Secrets In The Family ou Fred Frith, só para nomear alguns dos que eram citados pelos próprios U-Nu.

DISCOGRAFIA


A NOVA PORTUGALIDADE [CD, Numérica, 1994]

COMPILAÇÕES


POINT OF YUCCA 03 [CD, Yucca Tree Records, 2000]

PRESS
Peças Mirabolantes, Raquel Pinheiro, Blitz nº 526 de 29-11-1994
A Ver se a Gente se Entende, Pedro Gonçalves, Blitz nº 633 de 17-01-1995

9 comentários:

ARISTIDES DUARTE disse...

Gosto muito deste disco dos U-NU

Bourbonese disse...

Eu também. Parece um estranho meteoro no cenário editorial da altura. Ainda hoje é um pouco difícil de definir. Lembra-me algumas edições da época da Recommended Records. Curiosamente é um trabalho algo perdido e desconhecido na história da música nacional.

Anónimo disse...

Ao que parece, é tão perdido e desconhecido, que não sei de onde surgiu a informação de que a banda se formou em 1992!...Está errado.
Pois eu tenho uma k7 de um concerto ao vivo que os U-Nu deram no "Hasta Pública" em 1990...

Anónimo disse...

...O vocalista (Vitorino Ventura) foi professor de Contabilidade na Escola Secundaria de Ermesinde em 1990, e foi ele que ofereçeu essa K7 de uma actuação ao vivo em 1990, que aliás já contém alguns temas que iriam mais tarde integrar o cd "Nova Portugalidade" em 1994.
Por isso talvez fosse mais correcto colocar o ano de 1990, pelo menos, em vez de 1992

...Para além disso ainda participaram com 4 temas, numa colectânea Suiça em 2000, que podem consultar aqui: http://rateyourmusic.com/release/comp/various_artists_f2/point_of_yucca_volume_3/

Bourbonese disse...

Anónimo: Este blogue tem um objectivo que é recensear pedaços da História da musica urbana em Portugal. Não é pago, não recebe qualquer donativo ou disco de quem quer que seja e não deve nada a ninguém, a não ser informação fiável. Agradecemos a sua importante colaboração que, aliás, já introduzimos na entrada. Declinamos o tipo de abordagem com que inicia a sua participação, arrogante, pretenciosa e deselegante. O corrupto Socrates não faria melhor e veja-se lá como estamos... Verdades absolutas deram nisto.

vitorino almeida ventura disse...

Agradeço a publicação, em nome dos meus companheiros de aventuras.

Esclareço também que não fui/sou professor de Contabilidade, mas do grupo de Economia, que é um melting pot onde estão também os formados em Direito, como é o meu caso. Acresce,

também dou aulas de Português, e nesse âmbito tenho divulgado com análise de textos o que penso de melhor na lírica nacional (Cfr. As Letras como Poesia, ed. Afrontamento, 2009).

Muito obrigado,

Vitorino Almeida Ventura

Anónimo disse...

Grande grupo. O Vitorino era o front man, mas os grandes músicos eram o Luís Serdoura e o José João Cochofel, que chegaram a ir a Nova Iorque, ao CCB, num projecto 2.

Anónimo disse...

Acho estranho que o Vitorino não tenha referido a ausência do Luis Serdoura no line-up, já que ele foi o pianista do grupo e a Manuela Costa só o foi por um período de impossibilidade daquele. - Será que me escapa alguma coisa?

vitorino almeida ventura disse...

Não escapa nada, meu caro.

O Luis é um grande músico e uma pessoa muito bonita. No último livro que publiquei, teve a amabilidade de escrever um breve texto para a badana.

Sempre fui um grande fã dele.

Cumps.,

VAV