14 agosto 2011

BAD SEED + APENAS MIÚDOS



Bad Seed: A Biografia de Nick Cave
Ian Johnston, Relógio d'Água, 2000

Apenas Miúdos
Patti Smith, Quetzal, 2011

Férias é tempo de repôr em dia a leitura e estas últimas não foram excepção. Para abertura, recomendo uma biografia editada há mais de 10 anos no nosso mercado livreiro e que ainda se encontra disponível. Tinha o livro em stand by há mais de uma década e julgo que escolhi a melhor altura para o ler. "Bad Seed", a biografia de Nick Cave escrita por Ian Johnston digere-se melhor à distância do tempo e isso revela-se no próprio livro que, também à sua maneira, se centra mais intensa e coerentemente no período entre a criação dos The Boys Next Door, a ascenção e queda dos incontornáveis The Birthday Party e nos primeiros tempos dos Bad Seeds. É uma obra incisiva, cuidada, reveladora de múltiplos pontos de vista e muitas vezes trágico-cómica. Lê-se como se de uma epopeia se tratasse, revelando as dificuldades de uma personagem radical, embrenhada num mundo hostil, procurando trilhar o seu próprio caminho contra tudo e contra todos. A certa altura, parece que a paz com o Mundo foi restabelecida mas é mais prudente sermos cépticos face a esta hipótese. Recomendo sinceramente a leitura desta obra a quem aprecia o trabalho de Cave ou simplesmente gosta de biografias e pretende saber como as coisas se passavam no mundo da música chamada independente nas décadas de 70 e 80. "Apenas Miúdos" foi uma descoberta recente. A edição no idioma português, da responsabilidade da Quetzal, tem praticamente dias. O original "Just Kids" foi vencedor do National Book Award e considerado um best-seller pelo New York Times, o que já havia despoletado a natural curiosidade e algumas importações do original para Portugal, sobretudo pela FNAC. Patti Smith sempre foi uma artista à parte. À parte pela sua música, pelos seus trabalhos gráficos, pelos seus textos. É alguém intemporal, cuja obra é admirada consensualmente por diversas gerações que, de certa maneira, são mesmo antagónicas, pois revelaram-se como reacção umas às outras. Portanto, essa tranversalidade e respeito geracional atribuem-lhe, de imediato, um certo aura de intocável. Patti centra-se nesta sua biografia no seu amor por Robert Mapplethorpe, fotógrafo com quem viveu longa parte dos seus tempos de juventude e que viria a falecer vítima de SIDA já na década de 80. Fred Sonic Smith, o seu marido e pai dos seus filhos, acompanha-a apenas na parte final do livro que se revela inteiramente durante a segunda metade da década de 60 e todos os anos 70. Trata-se de um relato apaixonado, aventureiro e quase em registo de homenagem. Patti Smith revela a sua vida contando a história de outrem. É um livro negro, contemplativo, com algo de sombrio a acompanha-lo do início ao fim.

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