21 agosto 2011

FILIPA PAIS



Filipa Pais iniciou a sua carreira artística na dança em 1976 com Margarida de Abreu, ingressado em 1981 nos cursos de formação profissional do Ballet Gulbenkian e aí se mantendo até 1984. Nos três anos seguintes ruma a Nova Iorque, onde frequenta desenvolve técnicas de dança moderna, étnicas e ballet clássico. De regresso a Lisboa, participou como bailarina em diversos espectáculos como "Anatol", com encenação de Ricardo Pais, "Cabaret das Virgens" de Miguel Abreu, entre outros trabalhos com coreógrafos como Paula Massano, Margarida Bettencourt, Paulo Ribeiro, Joana Providência, Francisco Camacho e Rui Horta. Paralelamente, Filipa Pais desenvolve intensa actividade como cantora, colaborando com inúmeros artistas como Sérgio Godinho, Vitorino, José Mário Branco, Jorge Palma, Zeca Medeiros, Úxia, Tito Paris, Chico César, Júlio Pereira, João Bosco, Maria Bethânia, Michael Nyman, Francisco Ribeiro, entre muitos outros. Depois de múltiplas colaborações com Vitorino e Janita Salomé, em espectáculos e discos, é convidada no final dos anos oitenta, para participar no projecto Lua Extravagante onde assume um grande protagonismo ao lado dos irmãos Salomé (Vitorino, Janita e Carlos). Em 1991 gravam um disco para a EMI – Valentim de Carvalho com arranjos despojados, acústicos e vocalizações surpreendentes, especialmente de Filipa Pais que acaba por ser a revelação deste projecto. Em 1994, grava o seu disco de estreia a solo “l’amar”, editado pela Strauss. O disco abre com um tema tradicional do Alentejo “Vos Omnes” recolhido por Michel Giacometti e a interpretação de Filipa Pais é sublime e encantatória, lembrando Agnès Buen Garnas. Segue-se um tema baseado num poema de Luiz Camões, cheio de lirismo e gravidade, com o piano de João Paulo Esteves da Silva como companhia principal. Seguem-se dois temas da autoria do pianista, dos quais se destaca “Danças da Maré”, belíssimo e a explorar todas as cambiantes da voz de Filipa. Na “Canção do Coração” Filipa trilha os mesmos caminhos dos Madredeus do início, mas sem se exceder nos maneirismos vocais. Há mais dois temas tradicionais, um recolhido no Algarve e outro na Beira Baixa, ambos com excelente desempenho de Filipa e com arranjos que lhe dão um toque subtil de modernidade. Vitorino e Janita assinam vários temas, que Filipa Pais aproveita para arrancar excelentes interpretações, acompanhada a maior parte do tempo pelo piano, ora vibrante ora discreto, de João Paulo. O tema “Janelinha” da autoria de Pedro Ayres Magalhães, remete para a sonoridade inicial dos Madredeus. Segue-se um tema de Sérgio Godinho “Bom Prazer”, mais solto e festivo que o registo geral do disco, mas sem destoar. A produção de Paulo Pulido Valente e Vitorino, bem como os arranjos de João Paulo Esteves da Silva, muito contribuem para o elevado nível deste registo ancorado na tradição, mas aberto à modernidade. Por outro lado, a partir de 1997 Filipa Pais enceta uma colaboração regular com António Chainho, incluindo a participação no disco “A Guitarra e Outras Mulheres” e em diversos concertos em Portugal e no estrangeiro. Em 1998, Filipa Pais apresenta o espectáculo “Afinidades” baseado em recolhas de Michel Giacometti, no qual participa a galega Úxia. No mesmo ano, participa na ópera “Ciclo de Canções sobre Fernando Pessoa” da autoria de Michael Nyman, que encerra o Festival dos 100 Dias, inserido na Expo 98 em Lisboa. Ainda em 1998, participa na orquestra multicultural em tons de jazz e fusão “Sons da Lusofonia”. No início de 2000, reúne-se o grupo que acompanhará a cantora nos concertos realizados em Portugal e Espanha: João Paulo Esteves da Silva (direcção musical e piano), Ricardo Dias (acordeão), Manuel Rocha (Violino), Joaquim Teles (percussões) e Yuri Daniel (contrabaixo e baixo). O ano de 2001 é preenchido com múltiplos projectos como a participação no espectáculo de Úxia nas comemorações do 25 de Abril “Um Grande Porto do Sul”, dirigido por Carlos Martins e concebido para o Porto - Capital da Cultura. Participa igualmente no colectivo “Músicos do Sul e Lua” juntamente com Janita Salomé, Rao Kyao, Sérgio Godinho e Vitorino, e também em “Vozes do Sul” espectáculo e disco dedicado ao cante alentejano, dinamizado por Janita Salomé. Simultaneamente, participa a convite de João Brites no espectáculo de O Bando “Alma Grande”, baseado num conto de Miguel Torga. Finalmente em 2003, edita o seu segundo registo em nome próprio “A Porta do Mundo” com produção de Ricardo Dias e de João Paulo Esteves da Silva. Neste novo trabalho, Filipa Pais desenvolve o percurso iniciado no trabalho anterior, mantendo uma sonoridade predominantemente acústica, sendo acompanhada pelo piano de João Paulo, Ricardo Dias (acordeão, gaita-de-foles), Manuel Rocha (violino), Eduardo Miranda (bandolim), Yuri Daniel (contrabaixo), Quiné (percussões) e Mário Delgado (guitarra). Este disco marca também a estreia de Filipa Pais como compositora no tema “Em Todas as Ruas Te Encontro” baseado num poema de Mário Cesariny. Alguns dos colaboradores habituais de Filipa Pais contribuem novamente com letras para este disco como Hélia Correia, Vitorino ou João Afonso. A porta do mundo abre-se e de lá surge o Principezinho de Exupèry e Corto Maltese para nos guiarem numa viagem aventurosa para um universo imaginário, com paragens e revisitações da tradição como nos temas “Não Se Me Dá Que Vindimem”, “Altinho” e “José Embala o Menino” ou a medieval “Cantiga de Amigo” de D. Sancho I. Os subtis e elegantes arranjos de Ricardo Dias e de João Paulo potenciam a voz aquática e cristalina de Filipa Pais, que consegue novamente registar um excelente disco, mesclando a tradição com a contemporaneidade. Premiando a qualidade do disco, Filipa Pias vence o Prémio José Afonso em 2003, um dos mais importantes galardões da música portuguesa. Em 2004, Filipa Pais e José Peixoto apresentam "Estrela", acompanhados por Mário Delgado (guitarra), Yuri Daniel (contrabaixo) e Quiné (percussão) e a produção de Mário Barreiros. "Estrela", resulta de um conjunto de canções que José Peixoto idealizou para serem cantadas por Filipa Pais, tendo convidado João Monge para a escrita das letras. Em 2007, participa no disco “Terra do Zeca” do projecto Terra D’Água em homenagem a Zeca Afonso interpretando dois temas: “Eu Dizia” e “Papuça”. Em 2010, Filipa Pais integra “Vozes de Trabalho”, uma peça de Tiago Torres da Silva apresentada no Teatro da Trindade e que dará origem à gravação de um disco, num trabalho musical onde também participam Cecília Guimarães, Lurdes Norberto, Tonicha e Carlos Mendes. A peça evoca os cantos de trabalho que faziam parte do quotidiano de ceifeiras, pescadores e vindimeiros. Ainda em 2010, Filipa Pais participa em “Muxima” um projecto de homenagem ao Duo Ouro Negro, a partir de uma ideia de Manuel d’Oliveira e David Benasulin, onde também participam Janita Salomé, Yami, Rita Lobo, Quiné, e Filipe Raposo. Ao longo do tempo, Filipa Pais tem-se revelado uma intérprete de enorme versatilidade e coerência, com um cuidado especial na selecção do seu repertório e dos músicos que a acompanham, bem como dos arranjos dos seus discos. Cruzando linguagens de áreas tão dispares como a música tradicional, étnica, o jazz e até o fado, Filipa Pais é, indubitavelmente, uma das melhores e mais sólidas intérpretes nacionais.

DISCOGRAFIA


L'AMAR [CD, Strauss, 1994]


A PORTA DO MUNDO [CD, Vachier & Associados, 2003]


A PORTA DO MUNDO [CD Single, Vachier & Associados, 2003]


ESTRELA [c/José Peixoto] [CD, Zona Música, 2004]

COMPILAÇÕES


VOZ & GUITARRA [2xCD, Farol Música, 1997]

O MAR: A MÚSICA DOS POVOS DE LÍNGUA PORTUGUESA [CD, Oboré, 1997]


ONDA SONORA: RED HOT+LISBON [CD, Movieplay, 1998]

LOVELY BABY & MOMMY [CD, Atxilipu, 2005]


LISBOA@COM.FUSION [CD, EMI, 2006]

PRESS
À Procura do Espírito, Blitz nº 719 de 11-08-1998
Sintetizador, António Pires, Blitz 1040 de 04-10-2004

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