05 novembro 2011

FRANCISCO RIBEIRO



Francisco Ribeiro nasceu a 15 de Março de 1965. Com apenas 21 anos, integra a formação original dos Madredeus. A sonoridade do violoncelo de Francisco Ribeiro revela-se fundamental na construção da identidade estética da banda. Após a gravação do álbum “Ainda” e do enorme reconhecimento nacional e internacional dos Madredeus, abandona a banda no auge da popularidade em meados de 1997. Mais para o final do ano, edita o disco “Entre Nós e as Palavras” integrado no projecto Os Poetas, com Rodrigo Leão e Gabriel Gomes, seus antigos companheiros nos Madredeus. Após a morte dos pais, decide partir para Bath na Inglaterra, onde recomeça os estudos de “Música e Tecnologia”, uma especialização em violoncelo e composição. Ainda em Inglaterra, integra a Stroud Symphony Orchestra e a Gloucester Symphony Orchestra. Em 2006, regressa a Portugal, após absorver a racionalidade, o método e a coerência dos ingleses, que lhe permitiram desenvolver as técnicas e a formação. Em 2009, grava “Desiderata A Junção do Bem” com a Orquestra Nacional do Porto, dirigida pelo maestro Mark Stephenson, e contando com a colaboração nas vozes de Filipa Pais, Natália Casanova, Tanya Tagaq, José Perdigão e do guitarrista ex-Madredeus José Peixoto. É um disco de cariz intimista, de busca de autoconhecimento, de grande elegância e rigor formal. O “amor” é o tema que percorre todo o disco sob as mais diversas cambiantes – desde a mais baixa de todas, a obsessão, até à verdadeira comunhão, representada pela “Junção do Bem”, que dá o nome ao disco. A abertura faz-se com um instrumental, onde predominam as cordas cheias de gravidade. Segue-se um curto “Ritual Novo” vocalizado por Francisco Ribeiro, explorando as notas de uma raga indiana. A “Obsessão” surge de forma insidiosa alcandorada num piano, e vai-se prolongando à distância com o gargarejo moçárabe de Francisco Ribeiro. A participação de Tanya Tagaq (colaboradora de Björk), no tema “A Todas as Florestas Moribundas” assume uma matriz animista, cheia de fisicalidade, lembrando a Meredith Monk de “Dolmen Music”. O tema “Entrega” insere-se na longa tradição dos adágios de Mahler. Francisco Ribeiro, assume que o disco, em termos de estrutura, foi buscar muitas influências ao pós-rock dos A Silver Mt Zion, dos Godspeed You! Black Emperor, e até mesmo aos Sigur Rós. Reconhece-se também algum parentesco com os primeiros trabalhos de Rodrigo Leão & Vox Ensemble. O disco apresenta ao longo dos seus 14 temas uma diluição de fronteiras e o cruzamento de diversos estilos, entrecuzando instrumentos clássicos com uma sonoridade mediterrânica, destapando as raízes algarvias do autor, colocando-o algures entre o topo de um minarete árabe e uma casa de fados de Alfama. Desiderata, adoptado como mote para o disco, inspira-se no poema de Max Ehrmann: “Vai placidamente no meio do barulho e da confusão, lembrando-te de quanta paz existe no silêncio.” O silêncio é tudo o que resta, após a morte prematura de Francisco Ribeiro em 14 de Setembro de 2010, vítima de cancro.

DISCOGRAFIA


DESIDERATA A JUNÇÃO DO BEM [CD, Multidisc, 2009]

PRESS
A Longa Caminhada de Francisco Ribeiro, Mário Lopes, Ípsilon, 18-12-2009

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