12 novembro 2011

RITUAL



A Ritual foi a revista sobre música moderna portuguesa por excelência. Embora deteste o termo MMP, era este que realmente melhor lhe assentava. O seu primeiro número saiu em Janeiro de 1991, custava 250$00 e, para espanto dos mais incrédulos, era impresso num papel de excelente qualidade e beneficiava de uma aceitável distribuição nacional. O director, Victor Belém, liderava uma equipa de carolas, quase todos provenientes do mundo dos fanzines. A revista mostrava-se actualizada e, às entrevistas e/ou ensaios de fundo sobre as bandas já com algum estatuto no meio, juntavam-se as resenhas sobre os ilustres desconhecidos, alguns dos quais se tornariam mais tarde projectos instituídos. Às inevitáveis secções de novidades, apontamentos e crónicas a maquetes - sempre bem ilustradas -, eram acrescentadas informações úteis e uma página dedicada "À Procura dos Perdidos..." isto é, a projectos desaparecidos mas que realmente haviam sido responsáveis pelo desbravar de caminhos até aí inexplorados. À medida que os números se foram sucedendo - inicialmente numa periocidade bimestral -, e até ao sétimo exemplar, a qualidade foi-se mantendo com a introdução de algumas novas secções dedicadas a outras áreas, nomeadamente à dos instrumentos. No oitavo número, a publicação - que era então dirigida por Pedro Brinca -, muda um pouco de aspecto e passa a ter uma periocidade anual. O nº 7 saira em Abril de 1993. O seu sucedâneo diz já respeito ao ano de 1995. Este hiato de tempo trouxe mudanças profundas para pior: o papel perdeu qualidade; perdeu-se a assiduidade do título; as fotografias (e sua reprodução) passaram a ter má qualidade e os textos/colaboradores desceram significativamente de nível e de conteúdo. O único facto positivo a apontar era o da revista ter passado a acompanhada por um CD compilação das bandas de que se falava. O nº 9, publicado em 1996 segue a mesma linha, se bem que a revista denote graves problemas internos. O nº 10 nem deveria ter saído! Tudo nele é fraquíssimo e do brilho dos primeiros tempos já só restava a saudade. Estava-se no ano de 1997. Um ano depois sairá o derradeiro número, o 11, com grafismo melhorado e a oferta de uma cassete de vídeo polvilhada com uma dezena de promo clips. Definhava assim um sonho de meia dúzia de jovens que, talvez sem o saberem, acabram por fazer história.

1 comentários:

qim disse...

No blog "Misterioso Impossivel" tem pelo menos três edições da revista. Espero que consigam colocar mais edições. Há também uma edição em formato bolso que tem o nº 12 e que tem algumas fotos de concertos das Noites Ritual.