18 janeiro 2014

CHUCHURUMEL



Em 2009, os Chuchurumel, projecto de investigação e divulgação da música tradicional portuguesa chega ao fim. Mas esse é um trabalho que não se esgotou no grupo e nos trabalhos até aí editados e os dois músicos iniciaram de imediato o trabalho com outros grupos, entre eles os Trinta Por Uma Linha. Julieta Silva e César Prata colocaram um ponto final na carreira dos Chuchurumel. "Chegou ao fim esta aventura de divulgação e promoção da música tradicional portuguesa", pôde ler-se então num breve comunicado divulgado através da página do grupo no MySpace. Os Chuchurumel nasceram em 2003 e lançaram dois discos – "No Castelo de Chuchurumel", em 2005 e "Posta-Restante", dois anos depois.. Este último chegou mesmo a figurar nas listas dos melhores álbuns de 2007, nas escolhas do semanário Expresso e do blogue A Trompa. "É uma má notícia para a música portuguesa", escreveu o jornalista António Pires no blogue "Raízes e Antenas". Surpresa, continua, «só mitigada pelo facto de os dois membros do grupo continuarem de boa saúde e, sempre, com outros excelentes projectos musicais». Julieta Silva integrou os Diabo a Sete e Trinta Por Uma Linha configurou o novo projecto de César Prata. Ainda no comunicado, o duo fazia os juízos de valor e a contabilidade dos últimos anos do trajecto: dezenas de horas de recolhas, diversas oficinas de formação sobre instrumentos tradicionais portugueses, espectáculos originais criados para determinadas circunstâncias, centenas de concertos no país e no estrangeiro e dois discos editados. Não deu para resistir. Para quem ainda não sabia e ficou deliciado com "Posta Restante", houve antes um "No Castelo dos Chuchurumel", primeiro disco do duo. Uma proposta de exploração estilística que desembocou em 2007 no segundo e derradeiro trabalho editorial. É um disco de experiências, sonoras, de caminhos, de afinar agulhas. Numa proposta centrada na recolha de temas tradicionais portugueses – distrito da Guarda, bem como na criação de alguns originais, cruzadas com populares cantilenas, este castelo deixava já antever o nascimento de um dos projectos mais interessantes da nova folk nacional. De uma folk que não adormece à sombra do passado, de uma folk que vive o passado com os olhos fixos no futuro – e o coração. Lá dentro, percussões, gaita-de-foles, concertina, piano, ocarina, pedras e paus, cruzam-se com programações na busca de uma nova sonoridade, uma nova energia. Não está tudo afinado, é certo, mas lá que é uma grande ideia, lá isso é!

DISCOGRAFIA


NO CASTELO DE CHUCHURUMEL [CD, Edição de Autor, 2005]


POSTA RESTANTE [CD, Edição de Autor, 2007]

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